Vou estrear minha participação no blog criado pelo Claudio Thomas com um breve relato não sobre nossa paixão por viajar, mas por nossa paixão por caminhar e ver as cidades do alto.
Sim, nós batemos perna da hora que acordamos (bem mais cedo do que eu gostaria) até a hora de voltarmos para o hotel, geralmente tarde da noite.
Mas além de palmilhar as cidades por onde andamos, também incluímos em nosso roteiro visitas a locais altos, de onde podemos ter uma vista privilegiada do lugar. E, sem exceção, tem valido a pena.
Sou péssima para datas. Então, diferentemente do Thomas, não vou fazer referências temporais. O que fica pra mim são as sensações boas ou ruins das perambulações.
Não tem cidade por onde passamos que não tenhamos percorrido quase 10 quilômetros diariamente. Se perder pra se achar no mapa dá uma sensação boa de se saber onde se está e pra onde se quer ir. É isso é o legal de se desvendar as cidades do alto. Tem-se a impressão de estar olhando para um mapa pelo satélite do Google. E tudo fica, ou parece ficar, mais fácil.
Tive essa sensação na primeira vez (e única) que subi no topo do Arco do Triunfo, em Paris. Olhei a cidade de cima e entendi como funcionava, com suas ruas e avenidas largas e movimentadas, seus quadrados de prédios baixos e fachadas quase iguais.
Subir no Arco do Triunfo é moleza. Tem elevador até a metade do caminho e depois uma escada amigável. Encara, que vale a pena. E não deixa de subir na Torre Eiffel, mais moleza ainda e a vista é demais.
Pelas fotos vocês vão ver algumas das subidas que já encaramos. Fui econômica na escolha das imagens, porque se fosse contar, acho que já teria chegado no céu de tantas escadas que subi só pelo prazer de vislumbrar as cidades vistas de cima.
Mas uma dessas subidas foi infernal. Não sei se me atreveria em repetir. Foi em 2008 (perguntei o ano para o Thomas), quando fomos a Florença, na Itália; Que cidade, quanta maravilha meus olhos viram.
Decidimos subir no topo da Basílica di Santa Maria Del Fiori, conhecida como o Duomo de Florença; deslumbrante com sua fachada em mármore rosa, verde e branco. Assim como no início da subida da Sacre Coeur, em Paris, há uma advertência para que pessoas com problemas cardíacos, ou claustrofóbicas evitem a subida. Como não nos incluímos nos grupos de risco, lá fomos nós.
Que pesadelo, e depois que você começa a subida não há como desistir. São 463 degraus por uma escadinha estreita. Em alguns trechos é preciso se abaixar. É muito, muito angustiante.
Quando você acha que não vai aguentar mais e está prestes a morrer de ataque cardíaco, eis que chega na metade do caminho, na base da cúpula. Olhem na foto o espaço que há para que o vivente (quase morrente) se recomponha e volte a respirar. Um corredor claustrofóbico, com uma parede de acrílico na frente e grades sobre a cabeça. E não dá pra ficar muito tempo. Vamos em frente que atrás vem gente. Vencida a parte redonda da cúpula, a pior, mais horrível do que a primeira, chega-se ao topo e aí é como ter filho, você esquece a dor, esquece o quanto foi ruim. A vista é deslumbrante e pra descer os 463 degraus, todo o santo ajuda.
Rossani Thomas








