Saint-Émilion, a cidadela francesa medieval na região da Aquitânia, conquistou-nos logo ao desembarcarmos do trem, procedentes de Bordeaux. A estação é apenas um ponto de parada do trem. O prédio estava fechado. É preciso comprar a viagem de ida e de volta, com duração de 40 minutos, ao custo de 30,40 Euros para duas pessoas na Estação Saint-Jean, em Bordeaux.
Até a pequena cidade são cerca de 1,5 quilômetro de caminhada, com videiras dos dois lados da estrada estreita, mas com tráfego constante.
Imaginamos como deve ser o visual na primavera e no verão. Simplesmente espetacular, porque mesmo sob chuva fraca e frio constante, que enfrentamos, a sensação já era especial.
Desde 1999, Saint-Émilion é patrimônio mundial da humanidade, título concedido pela Unesco. O povoado foi fundado pelo monge Émilion no século VIII. Todas os prédios e casas são construídos com pedra calcária, típica de toda a região, uma das mais importantes da França na produção de vinhos. Em cada canto do povoado tem uma loja que oferece vinhos.
Fomos direto à Oficina de Turismo – www.saint-emilion-tourisme.com – localizada próximo à torre da igreja, para comprar ingressos – 9 Euros por pessoa – para conhecer a igreja monolítica subterrânea, onde são conservados a cama de pedra e outros apetrechos que teriam pertencido ao monge.
Inaugurada no século XII, a igreja é surpreendente, com 38 metros de comprimento e 12 metros de altura. O campanário tem 68 metros. São vetadas fotos e filmagens na parte subterrânea para preservar o monumento.
A guia, uma jovem francesa, estava em seu primeiro dia de trabalho com apresentação em espanhol e se saiu muito bem, falando pausadamente com seu carregado sotaque francês. Mais de 20 pessoas acompanharam a visita também pelas catacumbas, todas saqueadas durante a Revolução Francesa. No final, foi aplaudida porque conseguiu informar com clareza todos os pontos do prédio religioso.
Olhamos alguns restaurantes para almoçar, mas optamos pelo Amelia Canta, na Place de I’Eglise Monolithe., bem em frente à porta de saída da igreja. Estava quase lotado, mas a garçonete nos colocou em uma mesinha entre dois casais. Por aquela conhecida sorte que nos acompanha nas viagens, um dos casais era brasileira casada com um francês. Cris e Francis também chegaram de Bordeaux e seguiam viagem para Toulose, no Sul da França, onde ele tem familiares. Francis deu muitas dicas sobre Begerac, Périgueux e Sarlat-la-Canéda, cidades que fazem parte do nosso roteiro. O casal mora em Búzios, litoral do Rio.
Saint-Émilion é uma cidadela para ser percorrida a pé. Algumas caves podem ser visitadas, sem o pagamento de ingressos. Estivemos em duas delas. Caves Le Manoir e Clos des Menuts. Na primeira, as áreas onde ficam as barricas de carvalho estão identificadas como se fossem ruas. A outra era bem escura, úmida, escavada na rocha, e os vinhos estavam todos engarrafados. No local estavam armazenadas 150 mil garrafas.
Pouco antes de seguir para a estação do trem, visitamos uma loja de quinquilharias localizada bem à frente do campanário. Mais uma surpresa. A mulher que atendia era da cidade do Porto, em Portugal, e estava contando as horas para entrar em férias e só retornar na segunda quinzena de fevereiro.
Cada uma das outras quatro cidades medievais francesas que conhecemos têm características diferentes.
Carcassone, no Sul, surpreende pela grandiosidade. Confira no https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2016/02/28/carcassonne-a-joia-medieval-da-franca/
Saint-Paul de Vence, a 40 minutos de Nice, na Costa Azul, tem um charme próprio.
https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2016/01/05/a-cidadela-medieval-de-saint-paul-de-vence/
A uma hora de Paris, de trem, Provins encanta desde a chegada.
https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2016/01/17/provins-a-cidade-medieval-proxima-de-paris/
Éze, entre Nice e Principado de Mônaco, fica encravada no topo de uma montanha e é a menor das cidadelas medievais.
Nosso trem voltou para Bordeaux no horário previsto no fólder da SNCF, a empresa que administra todo o transporte ferroviário da França: 18h12min.
Nosso sentimento é de que precisamos retornar à Saint-Émilion outra vez. A portuguesa nos disse que a melhor época é na festa em homenagem ao monge, na terceira semana de setembro, mas já adiantou que não há sequer um metro quadrado da cidadela sem estar ocupado por várias pessoas.



















2 comentários sobre “Saint-Émilion, paixão à primeira vista”