Coloquei Périgueux na nossa agenda de viagens, principalmente em razão da proximidade com a linda cidade de Sarlat-la-Canéda, na região da Dordonha. Só descobri que havia sido um equívoco no segundo dia, porque não havia transporte direto de trem ou ônibus para Sarlat nesta época do ano. Bem, nos próximos posts eu conto como acabamos indo visitar Sarlat. E como pode ser espetacular fazer de Sarlat a base para alguns dias na região.
Deixamos a Estação de Saint-Jean, em Bordeaux, as 10h28min de domingo, em um trem regional, e chegamos antes do meio-dia em Périgueux. A passagem custa 22,50 Euros por pessoa, sem assento reservado.
Para a nossa surpresa, não havia nenhum táxi no ponto. A espera levou mais de 40 minutos. Nesse meio tempo, apareceu um jovem português, que morava em Libourne, e também desembarcara no mesmo trem acompanhado de seu cachorro. Estava chegando para visitar a mãe que mora em Périgueux.
O jovem telefonou para a empresa de táxis e pediu para ele e para nós, mas mesmo assim demorou. Nossa primeira impressão de Périgueux foi de que parecia uma cidade espanhola, onde nada funciona no começo da tarde. A demora foi inevitável. O primeiro taxista que apareceu se recusou a transportar o português por causa do cão e, assim, tivemos a preferência na corrida.
Da estação até o Hotel Ibis Centre Ville, no Boulevard Georges Saumande, às margens do Rio L`Islle e colado à Catedral Saint-Front, foram cerca de três quilômetros. Melhor localização, impossível. Do nosso quarto, no terceiro andar, avistamos a parte de trás da Igreja.
Périgueux parecia mesmo uma cidade fantasma no domingo. Poucas pessoas circulavam pelas ruas no início da tarde do dia 7 de janeiro de 2018. Deixamos as malas no quarto e saímos direto para o Centro Histórico, para aproveitar o restante do dia.
Périgueux é uma cidade média, não tem cem mil habitantes, e faz parte da região administrativa da Aquitânia-Limusino-Poitou-Charentes do departamento de Dordonha desde 1791. Na França os departamentos são como estados.
O Centro Histórico apresenta heranças romana, medieval e renascentista. A primeira surpresa estava quase ao lado do hotel. Uma torre de vigia dos tempos medievais. A L`Eschif de Creyssac, do ano de 1347, século XIV.
A segunda visita foi na Catedral Saint-Front, que perpetua as recordações de Saint-Front, primeiro bispo e evangelizador de Périgueux. A Igreja tem um dos maiores conjuntos de sinos da Europa. São 17 sinos, sendo 10 fixos. Outros sete compõem o carrilhão. O primeiro átrio da Catedral é do século XI.
O Centro Histórico é formado por ruas estreitas. Em boa parte delas é vetado o trânsito de veículos. Não é muito grande, com boa sinalização e tem preservado algumas construções medievais. Mesmo sem mapa é fácil se localizar. A imponência da Catedral sempre ajuda. No domingo havia outros turistas nas ruas, mas grande parte do comércio, inclusive bares e restaurantes, estava fechada. Aproveitamos toda a tarde e início da noite para descobrir Périgueux. A temperatura estava em torno de seis graus, com períodos de chuva.
O que sobrou de uma arena romana (ou anfiteatro) – seria semelhante as existentes na cidades de Nimes e de Arles, no Sul da França – https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2015/12/12/um-dia-cheio-de-belezas-em-nimes-no-sul-da-franca/ –
https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2015/11/07/arles-e-as-atracoes-romanas/
– pode ser conferida bem próximo ao Centro Histórico. Sobraram algumas arcadas, já tomadas pelo mato. Pelo diâmetro a arena não era pequena. Uma placa indicava que o anfiteatro comportava 20 mil espectadores. A prefeitura transformou o local em uma praça, com chafariz.
Outro destaque fora do Centro Histórico é a Igreja de Saint-Etienne-de-la-Citê, a primeira catedral católica romana em Périgueux. Está passando por uma reforma na parte externa.
As ruínas do castelo em estilo francês Barrière também chamam a atenção. As informações da placa do serviço de turismo indicam que o prédio foi construído entre os séculos XII e XVI. Bem próximo fica a Torre de Vesona, o que sobrou de um templo romano que seria dedicado à deusa tutelar da cidade.
Em um dos acessos ao Centro Histórico fica a Torre Mataguerre, em frente à Place Francheville. A torre, do século XIII, é um dos últimos vestígios das muralhas que protegiam a cidade medieval.
Depois de muita caminhada e várias descobertas nossa meta era encontrar um bom local para jantar.
O Le Café de La Place (www.cafedelaplace24.com) foi uma bela descoberta após nossa primeira incursão noturna no Centro Histórico. Distante cerca de 300 metros do nosso hotel, o bar/restaurante tem uma decoração peculiar e de encher os olhos, com muitas antiguidades, quadros e fotos pelas paredes, abajures coloridos, uma dezena de rádios antigos, quadros e peças em vidro e, o melhor, com excelentes opções de pratos, vinhos e sobremesas a um preço razoável para os padrões brasileiros. Sem falar no excelente atendimento prestado pelo garçom Matheau. Virou nosso ponto obrigatório em três noites seguidas, duas delas logo após o retorno de visitas às cidades de Bergerac e Sarlat.
Uma coisa ficou certa sobre a região de Périgueux, precisamos voltar, mas em outra época. O melhor período para conhecer a região – dividida em quatro áreas bem distintas – é a partir de março quando termina o inverno e começa a primavera. Obviamente também tem mais visitantes, mas vai valer a pena, porque essa é uma região surpreendente e que oferece inúmeras opções. Tem muita história, pré-história, diversidade cultural, gastronômica e uma beleza que rivaliza com a Provence. Mas, diferentemente da Provence, essa é uma região onde circular de um lado pra outro exige mais planejamento, porque para visitar algumas localidades não tem outro jeito a não ser alugar um carro, o que não é nada interessante para quem quer aproveitar os vinhos locais no almoço e no jantar.






















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