A cidade francesa de Perigueux, na região da Dordonha, entrou no nosso roteiro de viagens pela proximidade com a cidadela medieval Sarlat-la-Canéda.
Ficamos fascinados ao ler no livro “Descubra a França”, da Lonely Planet: “Poucos lugares na França são tão convincentes em seu clima medieval quanto a exótica Sarlat. A bela cidade se gaba por ter uma das mais bem preservadas arquiteturas medievais da região”.
Chegamos em Perigueux por volta do meio-dia de domingo (7/01/2018), conforme já descrevi no – https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2018/01/11/as-belas-surpresas-de-perigueux/
A Oficina de Turismo estava fechada. Voltamos ao local na manhã de segunda-feira para buscar informações sobre o deslocamento até Sarlat. Para nossa surpresa, não havia trem direto e nem ônibus durante o outono e o inverno. A atendente disse que a melhor opção era ir de trem até Bordeaux e lá pegar outro trem até Sarlat.
Resolvemos então conhecer Bergerac, que também estava no nosso roteiro – nos próximos dias vamos contar como é essa pequena cidade que fica a 70 quilômetros de Perigueux. Há ônibus regular entre as duas cidades durante todo o ano.
Em Bergerac, também procuramos a Oficina de Turismo ainda em busca de alguma informação para visitar Sarlat, sem termos que retornar a Bordeaux. Deu certo. Uma das atendentes era portuguesa e disse que havia um trem ou ônibus até Sarlat-la-Canéda, com saída depois das 9h. O último trem sai de Sarlat às 17h15min e chega na Estação de Bergerac às 18h21min. Qualquer atraso ameaçaria nosso retorno de ônibus a Perigueux. O último parte às 18h40min. “O ideal era não correr riscos”, advertiu a portuguesa, indicando três hotéis na cidade, caso nossa estratégia de deslocamento entre as três cidades não desse certo.
Decidimos fazer o passeio. Para conferir se os trens são mesmo pontuais na França fomos até a estação verificar se o trem de Sarlat chegaria em Bergerac no horário previsto, as 18h23min. Atrasou, chegou às 18h30min. Tudo bem, Sarlat valeria o risco e se o plano não desse certo, dormiríamos em Bergerac.
Verificação feita, retornamos para Perigueux, ainda com tempo para mais uma incursão gastronômica e vinho da terra. O primeiro ônibus partiria para Bergerac às 6h15min. O ponto ficava a cerca de 500 metros do Ibis Centre Ville. Quase uma hora depois estávamos na estação de Bergerac para esperar o transporte até Sarlat. Diferentemente do que esperávamos a viagem foi de ônibus, e não trem. Só nós dois e o motorista por quase todo o percurso. O trajeto é fantástico.
Chegamos em Sarlat por volta das onze e meia da manhã. Na estação, com a ajuda de Helene, uma francesa que falava espanhol, confirmamos os horários do trem para Bergerac: 13h04min e 17h15min. Além de mostrar os principais pontos da cidadela medieval no mapa, Helene fez questão de nos levar de carro até o Centro Histórico. Uma ajuda que nos encantou. Helene é dona de uma loja de artesanato bem próxima da Catedral de San Sacerdos.
Sarlat-la-Canéda tem um bem preservado conjunto de prédios medievais. É Patrimônio Mundial da Unesco. San Sacerdos nasceu como uma abadia beneditina na época que a cidade era governada pelos romanos e, em 1317, foi convertida em Catedral. Bem atrás da igreja tem uma torre de 10 metros de altura erguida no século 12, chamada de Lanterna dos Mortos. Da torre é possível visualizar lápides de um velho cemitério. Os guias turísticos indicam que no local era colocadas velas para que a luz ajudasse a guiar as almas dos mortos para o céu.
O Centro Histórico é cheio de ruelas. Muitas casas medievais estão intactas. O prédio da antiga igreja Saint-Marie se transformou em um mercado para a venda, principalmente, de confit de canard (pato), foie gras e trufas. Aliás, é a cidade do canard e foie gras. Por toda a cidade as lojas ofertam as especiarias e preços convidativos. Há, inclusive, na área histórica, três graciosos patos moldados em bronze como símbolo dessa riqueza gastronômica. Bem próximo, um elevador leva até a torre da velha igreja, mas em janeiro não funciona, assim como várias lojas e restaurantes na região histórica. Mas não significa que o visitante não terá onde comer. Pelo contrário, a cidade conta com muitos hotéis, bares, restaurantes e um comércio bem movimentado, mesmo no inverno (janeiro tem liquidações).
Mas Sarlat é diferente de outra fantástica cidadela medieval já descrita pelo blog. Carcassone, localizada a certa distância da cidade nova – https://blocodeviagensdosthomas.wordpress.com/2016/02/28/carcassonne-a-joia-medieval-da-franca/
Um dia inteiro em Sarlat nos deixou uma certeza: essa região merece uma segunda visita. Mas o período ideal para visitar Sarlat e outras cidades da região do Périgord Noir (Preto) é a primavera e o verão. E outro detalhe importante: é uma região que deve ser visitada de carro. Pensamos em alugar um, mas nesse caso teríamos de pular o vinho do almoço e lanches. Entenderam a preferência por trem e ônibus?
A região dos Périgords (são quatro: Preto, Branco, Verde e Roxo) tem muitas atrações, como vilas medievais classificadas entre as mais lindas da França, grutas pré-históricas, florestas e jardins incríveis. Vai continuar no nosso radar.
Depois percorrer Sarlat de ponta a ponta, seguimos para a estação no alto de uma colina, distante cerca de um quilômetro do Centro Histórico. Partimos no último trem, às 17h15min. Chegamos em Bergerac, com atraso, às 18h25min, mas com tempo suficiente para entrarmos no ônibus que nos levaria de volta a Perigueux.

















