A melhor maneira de conhecer a cidade de Punta del Este, o balneário mais vip e famoso do Uruguai, é caminhando, sem pressa. Pode-se usar o celular ou parar para fazer fotos sem medo de ser assaltado.
Pertencente ao Departamento de Maldonado, Punta conta com excelente sistema de câmeras de videomonitoramento, ótimo policiamento e constante fiscalização no trânsito. As casas e os apartamentos térreos raramente têm grades ou mesmo cercas altas. Quase sempre portas e janelas ficam escancaradas para a rua, num claro indicativo de que as pessoas se sentem seguras.
Fora da temporada a cidade tem cerca de 15 mil habitantes, mas com a invasão dos turistas a partir de janeiro é preciso ter paciência no trânsito, especialmente nos acessos à área central. Nada, contudo, afeta a beleza da península.
De Florianópolis a Punta foram mais de 1,2 mil quilômetros, com uma parada estratégica no meio do caminho, no Rio Grande do Sul, para descansar. É possível fazer o trecho direto desde que haja revezamento entre os motoristas. Na reserva ecológica do Taim, na BR-471, dá para observar a diversidade de pássaros, as capivaras e os jacarés. É preciso ter cuidados porque, algumas vezes, as capivaras tentam atravessar a rodovia, como ocorreu na nossa frente. O controle de velocidade é rigoroso nos mais de 15 quilômetros da reserva.
Da fronteira gaúcha até a cidade de São Carlos, antes de Maldonado, a sinalização é excelente. A rota 9, a partir do Chuy, apresenta trechos com ótimo asfalto e outros com o pavimento repleto de desníveis. Em dias de chuva é preciso muita atenção e cuidado. Tem um pedágio entre Chuy e Punta, ao custo de 100 pesos uruguaios. Mesmo sem GPS é possível circular por todos os locais de Punta e Maldonado porque a sinalização nas ruas e avenidas é muito boa. O preço do litro da gasolina premium gira em torno de R$ 5,27. O rendimento do carro é bem melhor depois que você abastece nos postos uruguaios.
Via Booking, escolhemos o Hotel Aquarium na rua 9 (La Salina), pela localização, praticamente na ponta da península e bem próximo ao antigo farol, uma das primeiras áreas de ocupação de Punta del Este. Só tiramos o carro da garagem para o deslocamento até a Casapueblo, em Punta Ballena, distante cerca de 16 quilômetros. A garagem do Aquarium tinha espaço limitado e a vaga era conquistada por quem chegava primeiro.
Na mesma rua do hotel havia pelo menos cinco restaurantes, entre eles, o excelente Il Barreto, e um mercado com boas opções de produtos e um bar para lanches rápidos. De um modo geral, os preços dos restaurantes, principalmente na região onde ficamos, para duas pessoas, variavam entre US$ 60,00 e US$ 90,00, com vinho. Bem semelhantes aos de Florianópolis.
Curta o por do sol
Não deixe de percorrer toda a península pela Rambla General Artigas, que tem uma extensão de cerca de cinco quilômetros. O lado sul é banhado pelo Rio da Prata e o lado norte pelo Oceano Atlântico. No ponto extremo da península, denominado de Praça Grão-Bretanha, tem uma enorme bandeira do Uruguai. Com o vento, está sempre tremulando. A área do porto conta com dezenas de restaurantes, como o La Marea e o Manantiales. O local é ótimo para acompanhar o por do sol, um dos mais espetaculares da América do Sul. As pessoas que estão na praia, principalmente na Glorieta, aplaudem com entusiasmo logo que o sol se põe no horizonte. A praia se esvazia assim que o sol some.
Porto de Punta del Este
Barcos e iates de diferentes tamanhos podem ser vistos nos ancoradouros do Porto de Punta del Este. Em uma área de venda de peixes é possível ver lobos marinhos recebendo carcaças de pescados diretamente na boca. É claro que no final da distribuição um dos pescadores pede uma “contribuição” para os assistentes, a maioria turistas.
Farol e a paróquia de Nossa Senhora da Candelária
O farol, com 45 metros de altura, fica num dos pontos mais altos da península. Foi construído e colocado em operação em novembro de 1860. A forte luz orientava a navegação no Oceano Atlântico e no Rio da Prata. Em frente ao farol fica a Igreja de Nossa Senhora da Candelária. As primeiras casas de veraneio com estilos arquitetônicos do século passado foram construídas naquela área próxima ao farol.
Centro de compras
A Avenida Gorlero é a principal via de compras de Punta del Este, com diversos restaurantes, bancos e um cassino, o Nogaró by Mantra. Na Praça Artigas, praticamente no meio da avenida, funciona uma feira de artesãos e de artistas plásticos.
Monumento Los Dedos
É a principal atração da Praia Brava, banhada pelo Oceano Atlântico, e se transformou em uma das marcas de Punta del Este. A criação é do artista plástico chileno Mario Irrazábal, que foi convidado para participar do primeiro encontro internacional de escultura moderna ao ar livre, em 1982. Nove artistas de diferentes países participaram do evento.
Cassino Conrad
Bem mais suntuoso do que o Nogaró, o Conrad funciona na Rambla Claudio Williman, Praia Mansa, parada 4. Foi comprado pelo grupo chileno Enjoy faz alguns anos. O hotel conta com 294 apartamentos e 41 suítes de luxo, todas com vista para a praia. Vale a pena gastar alguns dólares e tentar a sorte nas máquinas. Nos divertimos, investimos R$ 50 cada um e, infelizmente, perdemos para a casa (como prevíamos!).
As praias
Para quem curte passar o dia na areia ou na água, Punta tem quatro praias tradicionais. Duas delas com águas do Atlântico. A Brava, com fortes ondas, é a preferida dos surfistas. E a dos Ingleses, com uma pequena faixa de areia. As praias banhadas pelo Rio da Prata são a Glorieta e a Mansa. Em todas elas a água é gelada. Distante 10 quilômetros de Punta fica a praia La Barra. É interessante observar: as praias do Atlântico têm mais “cara de praia”, com muitos guarda-sóis, crianças brincando na orla, pessoas se dourando ao sol. Já as praias do Prata têm um quê de parque, com muitas pessoas tomando chimarrão a sombra de alguma palmeira (são muitas em toda a orla doce), sentadas sobre toalhas como se estivessem num piquenique, ou brincando de um jogo muito parecido com o de bocha. Nós optamos por ficar em um dos bares/restaurantes da orla curtindo o por do sol bebericando alguns drinques.
La Vista
Se você deseja ter uma visão de 360 graus de Punta del Este, não deixe de subir no edifício La Vista, que conta com restaurante giratório, bar e uma galeria de arte. O elevador também é panorâmico. O visual é fantástico, principalmente se for um dia de céu azul. O ingresso sai em torno de R$ 50,00 para duas pessoas. O custo de uma taça de vinho tinto e um aperol spritz no bar do restaurtante foi de 20,50 dólares.
Casapueblo
Distante 16 quilômetros de Punta del Este, a Casapueblo é uma obra impressionante do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró, que morreu em fevereiro de 2014, aos 90 anos. Fica em Punta Ballena, de onde pode se observar toda a baía de Maldonado, Punta del Este e Portezuelo. Vilaró tem uma vasta obra como pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor, compositor e empresário. Em 1958, Vilaró comprou um terreno na península e começou a construir, como ele denominou, uma “escultura habitável”. Hoje, o complexo tem um amplo museu e um hotel. O artista viveu um drama em 1972, quando o filho Carlos Páez Rodrigues, integrante de um time de rugby de um colégio de Montevidéu, sofreu um acidente com toda a equipe na Cordilheira dos Andes, no Chile. Vilaró foi para o Chile e insistiu que as autoridades mantivessem as buscas. Mais de dois meses depois o grupo de 16 sobreviventes foi localizado e, entre eles, estava o filho do artista. O filme “Vivos”, de Frank Marshall, e o livro “Entre mi hijo y yo”, de Carlos Páez Vilaró, contam a história do drama.
Existem duas opções para refeições na Casapueblo. Um restaurante que faz parte do hotel e um bar que está em uma das áreas do museu, com um visual espetacular.
Tempo para a visita
O ideal é deixar, no mínimo, três dias livres para curtir todo o clima de alto-astral de Punta del Este. Dá para fazer passeios até La Barra, Piriapólis e Pan de Azúcar. A viagem de 130 quilômetros entre Punta e Montevidéu demora em torno de duas horas, pela rodovia litorânea, a interbalneária.
































