Saímos de Punta del Este em direção a Montevidéu pela excelente rodovia duplicada interbalneária, com trechos de velocidade de 40 kmh, 75 kmh, 90 kmh e o limite máximo de 110 kmh. Uma viagem de apenas 130 quilômetros. É preciso atenção porque há radares ao longo da estrada, que tem também dois pedágios ao custo de 100 pesos em cada praça, algo em torno de R$ 13 cada.
No trajeto, entramos no balneário de Piriápolis, para conhecer as praias nas calmas águas do Rio da Prata. O congestionamento nos dois sentidos da longa avenida que beira a praia era gigantesco, apesar de o domingo estar nublado, com períodos de chuva. Por sorte não tivemos prejuízo depois que um motorista uruguaio bateu na traseira do nosso carro. Foi somente um susto, sem estragos.
O trânsito fica mais intenso a partir dos balneários Costa Azul e La Floresta, que fazem parte da Grande Montevidéu. A quantidade de semáforos também aumenta nos principais cruzamentos. A capital conta com avenidas largas, arborizadas e a sinalização é muito boa, mas facilita muito utilizar o GPS do carro.
Localizado no bairro Pocitos, considerado de classe média alta, escolhemos o hotel Regency Way, na movimentada Avenida General Rivera, uma das mais extensas da capital com 13 quilômetros. O Shopping Montevidéu está a seis quadras do hotel, na Avenida Dr. Luís Alberto de Herrera. O estacionamento do hotel custa o equivalente a 12 dólares por dia.
Para chegar à Praia de Pocitos deve-se percorrer cerca de um quilômetro, pela mesma avenida do shopping. No gramado próximo da praia fica o letreiro Montevidéu em concreto, para os registros fotográficos.
Ao contrário da tranquilidade de Punta del Este em relação à segurança, na capital é preciso ter mais atenção, principalmente na área central. A violência não é tão intensa como em algumas cidades brasileiras do mesmo porte, como Porto Alegre e Curitiba, mas ocorre. O policiamento uruguaio, porém, é constante.
Ficamos na cidade de domingo à tarde até quarta pela manhã, tempo suficiente para conhecer os principais pontos turísticos. O ideal seriam quatro dias inteiros para curtir bem. O que chama a atenção é a cordialidade dos uruguaios. Estão sempre dispostos a ajudar. Contratamos um tour por Montevidéu com duração de três horas ao preço de 62 dólares para duas pessoas. Outra opção são os ônibus turísticos que circulam por roteiros pré-fixados, com tíquete válido por 24 horas. Assim como em cidades da Argentina e do Chile, em muitos locais é possível pagar as despesas com Real ou Dólar, mas o troco é sempre em pesos. Montevidéu não tem metrô, mas conta com excelentes opções de linhas de ônibus, que são identificados por números.


Rambla República do Peru
Acompanha a Praia de Pocitos, uma das mais movimentadas de Montevidéu. A areia é fina e clara, mas as águas do Rio da Prata são escuras, como chocolate. O letreiro com o nome da capital fica bem próximo da Rambla. A capital uruguaia não está de costas para o Rio da Prata e é possível percorrer praticamente toda a orla por largas avenidas.



Palácio Salvo
Construído nos anos de 1920, o Palácio Salvo foi inaugurado em 1928 e fica no coração de capital, na Avenida 18 de Julho (a principal) e a Praça da Independência, onde está a sede do governo do Uruguai. O projeto arquitetônico é do italiano Mario Palanti, que vivia em Buenos Aires. O prédio, que tem 95 metros e 27 andares, foi durante alguns anos o mais alto da América Latina. Funcionou como hotel e, hoje, tem alguns andares com escritórios e a maioria é de apartamentos. É possível fazer um tour (R$ 25 por pessoa) pelo Palácio Salvo, que se transformou em uma das marcas de Montevidéu. O visual a partir da torre é fantástico.








Os mercados
Montevidéu tem dois mercados. O Agrícola (MAM), inaugurado em 1903, substituiu a feira que funcionava em uma praça no Bairro Aguada. Nos últimos anos passou por uma completa recuperação. Tem bancas de artesanato, de verduras, legumes e frutas, cafés e restaurantes. O prédio mescla o passado e o presente, fica na Rua José L. Terra, 2220, e é muito bonito. O MAM abre de segunda a domingo, das 9h às 22h. Vale muito a pena visitar e passar algumas horinhas no local.



Já o Mercado do Porto foi inaugurado em 1868 e fica na área da Cidade Velha. Foi construído com estruturas de ferro produzidas na cidade inglesa de Liverpool. Funciona como um centro gastronômico e o principal prato é o churrasco uruguaio, chamado de Parillada. Vem com carnes variadas, incluindo intestinos e rins dos bovinos, mas sempre com pouco sal. Nós preferimos saborear apenas as carnes, acompanhadas de um bom vinho, no restaurante El Pelegrino, que fica em uma das laterais do prédio, ao custo de 60,73 dólares. O atendimento foi excelente.
No dia seguinte, voltamos ao Mercado e decidimos almoçar na área central. Escolhemos a Cabanha Veronica e dois pratos individuais: entrecote e costela em tiras, com saladas e uma garrafa de vinho. Custo: 58,42 dólares. Entre os dois, melhor o El Pelegrino. Mas há muitas outras opções, incluindo sentar em balcões próximos das grelhas onde as carnes são assadas. O problema, nesse caso, é o cheiro de fumaça que fica impregnado nas roupas.










Cidade Velha
Não pense que ao caminhar pelas ruas da Cidade Velha você encontrará prédios construídos a partir de 1724 quando começou o povoamento na península da capital uruguaia. De acordo com o site www.uruguai.com, o povoado foi criado durante disputa entre Portugual e Espanha pelo território ao redor do Rio da Prata, fundada por Colônia do Sacramento pelos portugueses em 1680. O Rei Filipe V, da Espanha, decidiu pela criação da nova cidade do Prata. A cidade foi cercada por uma muralha. Restou apenas um portal de entrada na Praça da Independência, onde também fica o antigo palácio do governo, hoje transformado em um museu que conta a história de todos os governos do Uruguai. Na praça também está instalado o novo prédio do governo uruguaio, moderno e todo envidraçado. A Catedral Metropolitana de Montevidéu, construída a partir de 1790, também fica dentro da área da Cidade Velha, em frente da Praça Constituição.
Apesar da legalização da maconha no Uruguai, você quase não encontra pessoas com cigarros da erva pelas cidade. Em uma das ruas próxima ao Mercado do Porto, uma loja vendia o produto.



Livraria Puro Verso
Localizada na Rua Sarandi, na área da Cidade Velha, vale a pena visitar a Livraria Puro Verso. Só a fachada do prédio já é surpreendente, assim como a parte interior, que conta com um café no primeiro andar. A Sarandi é uma das principais ruas do centro, destinada apenas aos pedestres.


Teatro Solis
Não entramos no Teatro Solis, bem próximo da Praça da Independência porque chegamos próximo ao horário de fechamento do prédio, no fim da tarde, e nos dias seguintes optamos por outros locais. O prédio é de 1856. O nome é em homenagem ao navegador Juan Diaz de Solis.

Parque Batlle
O histórico Estádio Centenário, que sediou a primeira Copa do Mundo em 1930 – Uruguai levou a Taça Jules Rimet – fica na extensa área do Parque Batlle. Outro destaque é o monumento La Carreta, criado em 1934 pelo artista José Belloni. A obra, que representa o transporte puxado por juntas de bois, é impressionante. O olhar dos animais capturado pelo artista é desalentador.


Café Facal, Gardel e cadeados
Montevidéu conta com muitos cafés, principalmente na área central. Um dos mais antigos, fundado em 1882, é o Café Facal, na Avenida 18 de Julho. Em frente, tem uma escultura de Carlos Gardel, o mais famoso cantor de tangos. Bem ao lado tem uma fonte onde se pode colocar cadeados na cerca que protege o local, com a vantagem que nesse caso não há risco de desmoronar, como a Pont des Arts, em Paris.
No banheiro masculino desse café o mictório é tão alto que dificulta a sua utilização. Fiz esse comentário com o garçom que nos atendeu e ele disse que muitos clientes já reclamaram.


Castillo Pittamiglio
Depois de uma longa caminhada de quatro quilômetros a partir do hotel, na Avenida Rivera, decidimos conhecer o Castillo Pittamiglio, que fica na Rambla Mahatma Gandhi, 663, na manhã do nosso último dia de visita a Montevidéu. Tem uma réplica da Samotrácia – escultura grega que faz parte do Museu do Louvre, em Paris – em sua torre vermelha. Não foi possível entrar nas dependências do castelo construído em 1911 porque só havia visita programada no meio da tarde naquele dia e havíamos programado ir novamente ao Mercado Velho almoçar. Tanto o Teatro Solis quanto o Castillo Pittamiglio ficaram para uma próxima visita a Montevidéu.


