Imagine uma cidade onde o desenho de uma ave, em contagem crescente, sinaliza os principais pontos turísticos e mostra o caminho a esses locais facilitando a vida dos visitantes. Assim é em Dijon, a capital da região francesa da Borgonha, com cerca de 160 mil habitantes. A Borgonha é uma das mais importantes produtoras de vinho do país, dos quais, aliás, viramos fãs. Mas a cidade é mundialmente reconhecida pela marca Dijon de sua mostarda, tanto as tradicionais quanto as misturadas a outros ingredientes, mas todas fantásticas e excelentes. Desta vez, inverno aqui, optamos por não fazer o roteiro dos vinhos, outra atração da região. Fica para outra oportunidade, talvez na primavera ou verão de um dos próximos anos.
Chegamos de TGV na Gare de Dijon no domingo, 19 de janeiro de 2020, no início da tarde, procedentes de Paris, em uma viagem de uma hora e meia. As passagens para duas pessoas, em segunda classe, custaram 102 Euros. Da Gare até o City Loft Apparthotel, onde ficamos hospedados no coração do Centro Histórico, foram cerca de 1,5 quilômetro, em um trecho bem sinalizado. Também dá para ir de metrô de superfície até a parada da Rue des Godrans, que é a mesma do hotel – cerca de 300 metros. A passagem custa 1,80 Euro. Os apartamentos do City Loft são bem aconchegantes, espaçosos, com cozinhas bem equipadas com fogão por indução, geladeira, microondas e outros utensílios. Preparei os cafés e os jantares no próprio apartamento, que, aliás, tinha um lindo visual. O hotel coloca à disposição dos hóspedes, a partir das três da tarde, café, sucos, água mineral e uma grande variedade de doces e biscoitos, diariamente e sem restrições de quantidade.




Nosso almoço de domingo foi no restaurante O’Bareuzai, bem próximo do hotel. Estava lotado no térreo e no primeiro andar. Pedimos um hambúrguer e um tartine, dois pratos excelentes, muito bem servidos. O tartine croque madame que a Rossani pediu (com jambon blanc, salce blache e oeuf au plat custou 12,50 euros), serviria muito bem duas pessoas, mas como estávamos famintos optamos por não dividir a refeição.


Em Dijon chama a atenção no Centro Histórico a preservação dos prédios e das casas do período medieval. A temperatura nos três dias em que ficamos em Dijon não passou dos 5ºC, sendo negativa ao amanhecer e depois das 21h. É possível conhecer Dijon num bate e volta de Paris, saindo da capital francesa por volta das 8 horas e retornando após às 18h, mas se conseguir ficar lá por pelo menos uma noite e curtir a cidade, vale muito.



O Caminho da Coruja, com placas colocadas nas calçadas, com a numeração de 1 a 22, e pequenos triângulos fazem a sinalização para os principais pontos turísticos de Dijon. Uma forma simples e simpática para ajudar os turistas a conhecer a cidade caminhando. O Centro Histórico não é grande. O mapa da cidade mostra todo o caminho da coruja. O número 1 começa na Praça Darcy, bem na entrada do Jardim Darcy, início do Centro. Aliás, vale a pena visitar o Jardim Darcy, em frente a praça, onde se situa uma das estações do metrô de superfície.





É importante, contudo, não esquecer de passar a mão esquerda sobre a coruja que fica na lateral da Catedral de Notre-Dame de Dijon – dizem que dá sorte. Eu e a Rossani Thomas não perdemos a chance. Criada no século 16, a coruja virou um símbolo da cidade. Hoje, está um pouco desfigurada, certamente de tanto as pessoas passarem a mão. Interessante observar que muitos prédios do período medieval em Dijon têm estilo enxaimel.



Port Guilhaume
Construído em 1788, é o início do Centro Histórico junto à Praça Darcy. É um Arco do Triunfo em miniatura, sem a imponência do monumento de Paris, mas sempre vale uma foto.

Les Halles
É o Mercado Público de Dijon. Projetado pelo engenheiro Gustave Eiffel, o mesmo da torre, o Mercado funciona de segunda a sexta até às 13h. Aos sábados fica aberto durante o dia. Para azar nosso, não pegamos o Marché des Halles aberto nenhum dia.


Notre-Dame de Dijon
É mais antiga do que a Notre-Dame de Paris. As obras de construção começaram em 1220 e terminaram em 1240. Não é tão imponente quando a da capital, mas vale a visita e as bênçãos. É na lateral esquerda da igreja que fica a coruja, bem em frente ao número 9 do “parcours de la chouette”, que é como os franceses dizem o caminho da coruja.


Hotel de Vogüé
Hotel de Vogüé é uma mansão do século 17 e fica na rue de la Chouette, praticamente atrás da Notre-Dame. É um monumento histórico desde 1911.

Torre Philippe le Bon
Com 46 metros de altura, a Torre Philippe le Bon permite visualizar Dijon e arredores. Foi construída entre 1450 e 1460.

Palácio dos Duques e Estados da Borgonha
Fica no coração de Dijon, na rue de la Liberté, com construção gótica, renascentista e clássica. O palácio, em sua parte medieval, foi erguido a partir de 1364.

Praça da Libertação
Fica em frente ao Palácio dos Duques e conta com diversos cafés, tem chafariz com água e coloridos, mas que não funciona no inverno, assim como vários restaurantes do local, que fecham suas portas de 6 de janeiro até o começo de fevereiro durante as férias coletivas.

Grand Théatre
Localizado no Centro Histórico, o Grand Théatre foi construído em 1828, inspirado na antiguidade clássica.

Igreja Saint-Michel
Chama a atenção desde a rue de la Liberté. Construída a partir de 1497, apresenta estilos gótico e renascentista. Está entre as mais belas igrejas da França. Desde 1840 é apontada como monumento histórico.

Catedral de Saint-Bénigne
A construção da Catedral começou em 1280 e só foi concluída cem anos depois, em estilo romano gótico. Está entre os prédios mais altos de Dijon, com 93 metros. É classificada como monumento histórico desde 1862.

Igreja Saint-Philibert
A igreja não é mais utilizada, mas foi construída no século 12. Fica ao lado da Catedral de Saint-Bénigne. O prédio estava fechado quando passamos por ele.

Igreja de Saint-Étienne
No local, hoje funciona a biblioteca adulta Centre-Ville la Nef, um novo espaço cultural de Dijon.

Rude Museu
Fica na parte da antiga Igreja Saint-Étienne, construída no século 6, e é dedicado ao escultor francês François Rude.


Na loja da SNCF na Gare de Dijon compramos as demais passagens de trem para Annecy e Nice. No próximo post eu conto o perrengue que passamos nas duas viagens. Uma aventura e ao mesmo tempo um alívio porque conseguimos chegar nos dois destinos. Aliás, perrengues regados a vinhos da Borgonha valem a pena ser vividos.

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