O charme da francesinha Beaune, a capital do vinho da Borgonha

De Dijon a Beaune são cerca de 20 minutos de trem regional ao custo de 20 Euros por pessoa, ida e volta. A distância é de cerca de 40 quilômetros. É preciso ficar atento para saber qual é o destino final da viagem, porque o trem segue para diversas cidades da Borgonha e de outras regiões francesas.

O trem que nos levou a Beuane tinha como destino final a estação de Lyon Part Dieu. Dentro do trem, fique atento ao painel de informações e ao anúncio feito pela equipe da SNCF. Todas as estações são anunciadas com alguns minutos de antecedência à parada do trem.

Na França, dificilmente os trens têm atrasos no horário, um respeito aos usuários. O nosso, contudo, previsto para sair às 10h12min, partiu quase dez minutos após, na terça-feira, 21 de janeiro de 2020.

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Na Gare de Dijon antes do embarque para Beaune

O dia estava com sol, nuvens esparsas e a temperatura em torno de 3ºC, com vento fraco. Simplesmente congelante.

Vale a pena passar o dia em Beaune. Denominado de a capital dos vinhos da Borgonha, o município tem cerca de 22 mil habitantes. É uma cidade aconchegante. Os moradores andam tranquilamente pelas calçadas e calçadões. Quase não há trânsito de veículos nas ruas estreitas do Centro Histórico, que abriga prédios em estilo enxaimel e monumentos.

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Muitas lojas comercializam os excelentes vinhos da Borgonha, com preços para todos os gostos e bolsos.

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Vinhos dos últimos anos à disposição dos apreciadores

A Gare ou estação de trens fica a dez minutos de caminhada do Centro. A sinalização até a região é excelente, mas dá para tirar dúvidas em um amplo mapa que fica em um painel bem em frente da estação antes de ir à Oficina de Turismo, no coração da cidade. A francesa que atendia na Oficina falava português muito bem, facilitando muito nossa comunicação.

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Em razão do inverno, muitos restaurantes ficam fechados em janeiro e parte de fevereiro. Decidimos almoçar no El Monge, na Praça do mesmo nome. Estava lotado e foi preciso esperar uns 15 minutos até uma mesa ser liberada. Eu pedi um omelete com presunto e salada. Já a Rossani optou pelo Bouef Bourguignon, um prato tradicional da cozinha francesa. É preparado com carne de segunda – pode ser músculo traseiro, agulha ou palheta -, mais pedaços grandes de batata inglesa, de cenoura e cebola pequena, tudo cozinha no vinho tinto da Borgonha. A carne se desmancha de tão macia, o molho é cremoso e exala o perfume do vinho e das especiarias.

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Quase em frente à Praça Monge chama a atenção a Torre de L’horloge (do Relógio). Foi construída entre os séculos 13 e 14. É um monumento histórico da França.

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Um pouco mais adiante está a Basílica de Notre-Dame. As obras começaram no século 12 e terminaram no século 13. O site http://www.france-voyage.com informa que a basílica é um dos últimas grandes igrejas românicas da Borgonha. O prédio tem um portal gótico e uma torre renascentista. O órgão é um dos destaques da basílica.

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A parte de trás da Basílica

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Não conseguimos visitar o Museu do Vinho da Borgonha porque estava fechado.

A Beaune antiga era cercada por muralhas. Parte delas ainda está preservada. Em uma das entradas para o Centro Histórico está o Porte Saint-Nicolas, construído no período medieval em 1770. Em outro trecho existe a Torre Blondeau datada de 1465.

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Porte Saint-Nicolas

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Torre Blondeau datada de 1465

A principal e mais importante atração da cidade, certamente, é o Hôtel-Dieu Des Hospices Civils de Beaune, que servia como hospital, um destaque medieval da Borgonha. Foi erguido em 1443, no século 15, por determinação do chanceler do Duque da Borgonha, Nicolas Rolin e de Guigone de Salins para atender os doentes mais pobres da região. Os fundadores trabalharam na caridade.

A arquitetura do prédio surpreende desde a entrada ao pátio principal. Ao longo da visita, que leva mais de duas horas, é possível conferir a sala onde eram atendidos os doentes pobres, a capela gótica, a cozinha e a farmácia. Um dos destaques é a pintura do “Juízo Final” feita pelo artista Rogier van der Weyden no século 15. O antigo hospital não recebe pacientes desde os anos de 1980.

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O hospital tinha capacidade de atender gratuitamente até 30 pacientes. Havia uma ala também para quem pudesse pagar. O prédio foi construído para prestar um atendimento de excelência e para que os doentes pudessem se sentir confortáveis. Cada doente ficava num espaço próprio, com cortinas para garantir sua privacidade. O hospital foi construído sobre o rio, de forma a possibilitar acesso fácil a água e ao descarte dos dejetos. Toda a alimentação dos doentes vinha da produção local e era feita pelas irmãs que trabalhavam no local. Os remédios também eram fabricados no próprio hospital. E um detalhe interessante: o vinho local fazia parte da dieta dos pacientes.

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A cozinha do hospital
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Local onde eram produzidos os medicamentos

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Todos os anos, no terceiro domingo de novembro, é realizado o maior leilão de vinhos produzidos nos vinhedos de propriedade do hospital e parte dos lucros são investidos na manutenção do atual Hôtel-Dieu, que agora é um museu.

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Um dos destaques é a pintura do “Juízo Final” feita pelo artista Rogier van der Weyden no século 15. O antigo hospital não recebe pacientes desde os anos de 1980.

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Depois de um dia espetacular em Beaune, nosso retorno a Dijon foi no trem regional das 17h. De Dijon, dia 22 de janeiro de 2020, seguimos para Annecy.

 

 


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