Nos Alpes franceses, Annecy e seu lago impressionam pela beleza

Antes de escrever sobre as belezas de Annecy, vou contar alguns atropelos que enfrentamos até chegar nos Alpes, a sudeste da França.

Ao realizar a compra das passagens do trem regional de Dijon para Beaune, aproveitamos para definir também os novos roteiros da viagem de férias para os próximos dias e garantir os bilhetes.

Para evitar contratempos por não entender uma ou outra palavra do atendente da SNCF escrevi em uma folha de papel os nossos planos para conhecer Annecy e depois seguir até Nice, às margens do mar Mediterrâneo, com as datas das viagens e indicações de horários.

O atende riu das minhas anotações precisas e foi construindo todos os roteiros: de Dijon para Annecy, dia 22 de janeiro, com conexão em Lyon. De Annecy para Nice, dia 25, com conexão em Valença. Tudo certo com as passagens ao salgado custo de 286,30 Euros.

A primeira confusão foi na chegada a estação Lyon Part-Dieu, dia 22, pouco depois do meio-dia. Desembarcamos do trem procedentes de Dijon e, sabendo que o tempo de conexão seria muito pequeno, corremos para verificar o painel de horários e a plataforma de embarque. Nada do nosso trem para Annecy aparecer no painel. Assustados e preocupados, seguimos até o setor de venda de passagens da SNCF e descobrimos que o trem do nosso horário havia sido cancelado.

Um novo trem, segundo informou um solícito atendente falando em espanhol, partiria uma hora depois, sem problemas. Um alívio, mas havia só mais um detalhe. Teríamos que fazer uma conexão a mais, descer na estação de Aix-les-Bains le Revard e esperar outro trem que nos levaria, finalmente, a mais um de nossos destinos.

Chegamos em Annecy uma hora mais tarde, próximo das 17h, com uma temperatura polar.

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O Centro Histórico de Annecy

Annecy é uma cidade linda, mesmo no inverno. Imaginamos que na primavera e no verão deve ser simplesmente espetacular, apaixonante. Fica às margens do Lago Annecy, que deságua no Rio Thiou. As águas do lago são limpíssimas e consideradas as mais limpas da Europa. A transparência impressiona, mas não vimos um único peixe.

Mesmo em locais onde a profundidade supera os dois metros é possível ver o fundo do lago. As informações dos folhetos turísticos indicam que a formação ocorreu há 18 mil anos em razão do degelo dos glaciares alpinos. É o segundo maior da França, atrás do Lago Bourget. Em alguns pontos a profundidade média é de 41,5 metros.

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A transparência do Lago Annecy impressiona

Com cerca de 240 mil habitantes, Annecy tem um Centro Histórico (Vieille Ville) bem preservado. Depois de passar um dia na cidade nem é preciso olhar o mapa para andar pelas ruas e pequenas travessias. Nos prédios predomina a cor pastel. As ruas, algumas bem estreitas, têm o pavimento em pedras arredondadas e lisas, diversos canais e o Rio Thiou, um dos mais curtos da Europa, com cerca de cinco quilômetros.

As águas do rio também são transparentes e limpas e sempre povoadas por marrecos e gaivotas, que fazem uma algazarra quando os turistas jogam alimentos nas águas. Menos barulhentos, mas também amistosos, são os cisnes que também nadam no lago Annecy e que se aproximam facilmente de quem oferece algum alimento.

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O início do Rio Thiou no Centro Histórico de Annecy

O Thiou deságua no Rio Fier, que é afluente do Ródano, que passa por Avignon e Arles (veja os links abaixo).

https://blocodeviagensdosthomas.blog/2015/10/28/avignon-patrimonio-historico/

https://blocodeviagensdosthomas.blog/2015/11/07/arles-e-as-atracoes-romanas/

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O fim da tarde no início do Centro Histórico

Annecy é uma das cidades mais antigas dos Alpes franceses. A história revela que vestígios de aldeias lacustres foram identificados a partir do ano 4 mil a.C. Os romanos fundaram Boutae, a primeira localidade urbana em meados do século 1 a.C. A partir do século 11, surgiu uma nova localidade chamada Annecy-le-Neuf para diferenciar de Annecy-le-Vieux.

O hotel onde nos hospedamos, o Ibis Centre Ville, fica às margens do rio, na Rue de La Gare – cerca de 500 metros da estação de trem. Restaurantes de todos os tipos e preços estão em todas as ruas e vielas no Centro Histórico. Em duas noites seguidas jantamos no Chez Monique, bem próximo do hotel. Preço bom e pratos bem servidos, com atendimento razoável.

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O prédio onde fica o Hotel Ibis Centre Ville em Annecy

Em janeiro, praticamente todos os serviços como aluguel de bicicletas e passeios de barcos ficam suspensos. Apesar do frio, vale a pena passear pela Le Pont des Amours e admirar o conjunto de cores das árvores e dos pequenos barcos ancorados. À noite, com a iluminação, fica ainda mais lindo. A Le Pont des Amours foi construída em 1907 e atravessa o canal del Vassé.

Criados em 1863, os Jardins da Europa, em estilo inglês, margeiam o lago até a romântica ponte. Uma ilhota artificial foi criada no lago – I`Ile des Cygnes. Depois de passar na ponte (e registrar o momento em foto), percorra os mais de um quilômetro do calçadão ao longo da Avenida d`Albigny.

Com a temperatura próxima de 0º C, pela manhã era comum encontrarmos poças de água congeladas. Nos divertimos como crianças arteiras pisando nas placas de gelo, algo tão incomum para quem mora num país tropical.

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Le Pont des Amours ao entardecer
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O canal del Vassé no início da noite e pela manhã abaixo
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O canal del Vassé logo após a Pont des Amours
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Rossani Thomas observa a água congelada dentro de um chafariz desativado
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Os Jardins da Europa às margens do Lago Annecy
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Ao fundo a I`Ile des Cygnes

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O calçadão ao longo da Avenida d`Albigny.
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Com Rossani Thomas diante do Lago Annecy

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Le Palais de I`lle

É de onde se tem uma melhores vistas do Centro Histórico de Annecy. A casa parece um barco de pedra ancorado no Rio Thiou e data do século 9. Antigamente era uma prisão e hoje é um centro de exposições de arquitetura e patrimônio. É um dos cartões-postais da cidade, que tem outros canais.

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Um registro diante do cartão-postal de Annecy

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Além do Rio Thiou, canais cortam parte do Centro Histórico

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Ponte Morens

Fica próxima do Palais de L’Ile, foi a primeira ponte de pedra no Rio Thiou. Antigamente estava coberta de casas.

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Ponte de La Halle

Passa sobre o Lago de Annecy que logo em seguida se transforma no Rio Thiou. Tem trânsito intenso de veículos nos dois sentidos, mas o visual dos dois lados é bonito.

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Ponte de La Halle e o Castelo ao fundo
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Outro detalhe da Ponte Le Halle

Place Saint-Claire

Próximo da arcada se encontra a fonte de Quiberet, de 1635. Também se destaca a figura da trucha, o emblema de Annecy.

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Notre-Dame de Liesse

Foi construída na segunda metade do século 14 no local de uma antiga capela. No período da Revolução Francesa o prédio foi demolido e depois reconstruído em estilo neoclássico, em 1850.

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Basílica da Visitação

Não muito distante do Centro Histórico, é vista desde as margens do lago. As obras da igreja foram terminadas no início da década de 1930. De cada lado do altar estão os túmulos de Francisco de Sales, que foi bispo de Genebra no século 17 e depois foi declarado santo pela Igreja Católica, e Juana de Chantal, fundadora da Ordem da Visitação de Santa Maria. Parte de Annecy pode ser apreciada a partir da Basílica.

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O visual a partir da Basílica da Visitação

Castelo
O Castelo foi erguido pelos condes de Genebra, que residiram no local a partir de 1219. A partir de 1401 foi a residência dos duques de Genebra-Nemours. E desde o final do século 17 até a década de 1940 foi utilizado como quartel. Hoje, abriga um museu e o Observatório Regional dos Lagos Alpinos. Boa parte de Annecy pode ser observada a partir do Castelo.

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Catedral de Saint-Pierre

As informações turísticas indicam que a igreja foi construída em 1535 para acolher os franciscanos. A fachada é precursora do Renascimento.

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Igreja de Sant-François

Fica bem próxima à Pont de La Halle. Faz parte do primeiro monastério da Ordem de La Visitación, fundada por Francisco de Sales e Juana de Chantal em 1610. A igreja foi reconstruída em 1644 de acordo com o estilo arquitetônico da contrarreforma.

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A viagem para Nice

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A Gare de Annecy antes das 8h de sábado, dia 25 de janeiro de 2020

Sábado, 25 de janeiro de 2020, 8h, estava marcado o nosso trem para Valença, onde pegaríamos um TGV para o deslocamento até Marselha. De lá outro trem regional até Nice. Chegamos na Estação de Annecy 20 minutos antes do horário.

No painel das partidas aparecia apenas o número do nosso trem, mas com destino a Grenoble, e não a Valença como descrevia nossos bilhetes. Mais um susto até conseguirmos esclarecer com os agentes da SNCF que em Grenoble deveríamos fazer mais um conexão até Valença. O agente que vendeu as passagens na Gare de Dijon não havia nos alertado sobre isso, de que haveria mais uma conexão e de ônibus. Mais um perrengue, que valeu como experiência. O que nos preocupava nessas baldeações era perdermos os próximos trens e, evidentemente, os Euros investidos nas passagens.

Para nosso alívio, deu tudo certo nos horários apesar de o TGV apresentar um atraso de 20 minutos e chegamos em Marselha a tempo de seguirmos com o trem regional até Nice. Neste blog já falei de Nice, mas vou fazer mais um post em seguida. Essa foi a terceira vez que visitamos essa cidade e onde certamente voltaremos outras vezes.

 

 


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