São João del Rei e Tiradentes, duas joias históricas de Minas Gerais

Nosso segundo dia em Minas Gerais começou bem cedo e terminou tarde. Foi o trecho mais longo das excursões que fizemos, quase 240 quilômetros ao custo de mais de R$ 700. Deixamos o hotel em Belo Horizonte às 7h10min e retornamos perto das 22h30min, no roteiro para São João del Rei e Tiradentes. Neste dia, optamos por jantar no hotel. 

No dia seguinte fomos a Ouro Preto e Mariana, destinos mais próximos, mas que também demandou o dia inteiro. Saímos do hotel às 7h30min e retornamos às 20h30min, ainda com tempo para curtir mais um pouco de BH.  Todos os detalhes no próximo post.

São João del Rei tem um Centro Histórico que vale a pena ser percorrido, mas o principal destaque é a Igreja de São Francisco de Assis, cuja obra começou em 1774. 

O templo foi fundado pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco. Localizada no alto de uma colina, diante de um largo com palmeiras imperiais e outras árvores, a igreja chama a atenção pela beleza e sua imponência. Tem cerca de 30 metros de altura, infinitos detalhes esculpidos em madeira e pedra, altares laterais com figuras ligadas à vida de São Francisco, e um altar central de tirar o fôlego coberto em ouro (folhas de ouro). Outra joia da igreja é o imenso lustre de cristal Baccarat no altar principal, um dos dois únicos exemplares no mundo, presente de Dom João VI para a igreja. O outro exemplar está no Museu do Louvre, em Paris.

O mestre escultor, entalhador e “arquiteto” do Brasil colonial Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, foi o autor do projeto, mas acabou substituído pelo português Francisco Cerqueira. 

A igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) junto com todo o seu acervo.

Por fazer parte da Ordem, o ex-presidente Tancredo Neves está sepultado no cemitério que fica atrás da igreja. 

Nossa passagem por São João del Rei foi rápida e durou cerca de duas horas, mas merece bem mais tempo caso você decida visitar a cidade. 

Tiradentes, a terra natal de Joaquim José da Silva Xavier

Chamada de Arraial Velho, nos primeiros anos de século 18, com a descoberta de minas de ouro na bacia do Rio das Mortes, a pequena localidade estava ligada a São João del Rei, distante cerca de 12 quilômetros. Terra natal de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. 

Em 1718 passou à categoria de vila e recebeu o nome de São José. A vila foi elevada a cidade em 1860, primeiramente com o nome de São José, substituído, em 1889, pelo de Tiradentes, em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira. 

O Centro Histórico de Tiradentes é super bem preservado. Dá a impressão de que você está entrando na história da cidade, que tem pouco mais de 7 mil habitantes. Com ruas estreitas e com poucos locais para estacionar, o ideal seria que a prefeitura limitasse a circulação de veículos pelo Centro. 

Outro detalhe: caminhar pela cidade exige calçados confortáveis, porque as ruas (e ladeiras) são em pedras irregulares e originais do período imperial. Essa dica vale para outras cidades históricas, tanto pela topografia quanto pelo calçamento das vias.

Como destacam as informações turísticas de Tiradentes, o conjunto arquitetônico e urbanístico apresenta um acervo dos mais importantes de Minas Gerais, constituído por construções setecentistas religiosas, civis e oficiais. 

Na arquitetura civil destaca-se a harmonia do casario térreo, caracterizado pelas linhas retas, paredes brancas e aberturas coloridas, formando uma perspectiva alongada e contínua pelas ruas principais da cidade. 

Um dos destaques da arquitetura da era colonial barroca e rococó é a Igreja Matriz de Santo Antônio, com centenas de quilos de decoração em ouro e uma fachada concebida pelo escultor Aleijadinho. 

Nunca ninguém pesou, mas as informações históricas indicam que 480 quilos de ouro estão principalmente na capela-mor e nos seis altares. Outro destaque é um órgão com oito fileiras de tubo construído em Portugal entre 1785 e 1788. Não tivemos o prazer de ouvir algum concerto, mas fomos informados de que todas as noites de sexta-feira há apresentação no local. 

Um pouco abaixo da colina da Matriz fica a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída por escravos em 1708, no século 18. 

No fim da tarde flagramos um casamento no templo.

Vale a pena pernoitar pelo menos uma noite em Tiradentes, para percorrer com calma o Centro Históricos, curtir o rico comércio local com muitas lojas de artesanatos e produtos típicos, além de muitos bares e restaurantes para se deliciar com a culinária mineira. As opções de estadia são amplas pela quantidade de pousadas na região. São mais de 300, desde as mais simples até as mais sofisticadas. Tiradentes é um desses lugares que fica no nosso radar para mais uma visita, com pernoite.

Outra dica: é possível percorrer os 12 quilômetros entre Tiradentes e São João del Rei com o trem Maria Fumaça, passeio que faz parte da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas. As viagens são realizadas às sextas, sábados e domingos. 

A economia de Tiradentes depende exclusivamente do turismo e, por conta disso, a cidade conta com uma ampla programação de atividades ao longo do ano para atrair os turistas.


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