Ouro Preto, antes chamada Vila Rica, é uma joia histórica de Minas Gerais e do Brasil. Está a duas horas de Belo Horizonte. O transporte nesse dia foi em micro-ônibus, já que veículos grandes não circulam na área histórica.
Foi a primeira cidade brasileira a receber o título de Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 1980.
Ficamos em Ouro Preto do final da manhã ao fim da tarde, mas o ideal seria permanecer pelo menos dois dias para conhecer tudo com tranquilidade e desfrutar da culinária e da vida noturna.
Como aprendemos no colégio, Ouro Preto é um dos destaques na história do Brasil por causa da Inconfidência Mineira e da exploração do ouro. A troca de nome da cidade deveu-se ao fato de o ouro ser coberto por uma camada de óxido de ferro. Até 1897 foi a Capital de Minas Gerais.
O charme de Ouro Preto é inquestionável, com ruas de pedras, parte em pedra sabão, casarios e igrejas que abrigam obras de renomados artistas mineiros, como o mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, considerado o maior artista e arquiteto do período colonial no Brasil. Prepare-se para enfrentar as ladeiras, algumas bem escorregadias. Atualmente, a cidade tem cerca de 80 mil habitantes.
Entre os principais pontos turísticos estão a Praça Tiradentes, onde foi exposta a cabeça do heroi da Inconfidência, que era militar (alferes) e trabalhava diretamente com o governador, ao mesmo tempo que era um dos líderes da revolução. Aliás, essa foi uma condição que pesou para a punição máxima.



Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi julgado e sentenciado no Rio de Janeiro, como traidor da Coroa. A sentença de morte, dada pela rainha Dona Maria I, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, também determinava que fosse esquartejado e que partes do seu corpo fossem expostas ao longo da Estrada Real (que ligava MG ao RJ e por onde escoava os metais e pedras preciosas rumo ao litoral e de lá para a Europa).







Voltando ao roteiro, além da praça, há muito a visitar, como a Igreja de São Francisco de Assis (foto), os museus da Inconfidência (prédio muito parecido com o da Câmara Municipal do Porto, em Portugal), de Aleijadinho e de Arte Sacra, Casa de Tomás Antônio Gonzaga, Casa dos Contos e a Casa dos Inconfidentes. Ouro Preto tem 12 igrejas – Basílica de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Santa Efigênia, Igreja de São Miguel e Almas, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Igreja de São Francisco de Paula, Igreja de São José, Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia e Matriz de Santo Antônio. Uma das razões para a profusão é que elas eram fontes de arrecadação de tributos no período colonial.

Só conseguimos conhecer melhor duas igrejas – Nossa Senhora do Carmo (foto acima), na parte de cima da Praça Tiradentes, e Igreja de São Francisco de Assis, cuja construção foi iniciada em 1766, pela Ordem Terceira de São Francisco de Assis – a primeira ordem terceira criada em Ouro Preto, que remonta a 1745. Na parte de traz uma pintura que retrata Aleijadinho, autor do projeto. Uma feira funciona na área em frente da Igreja de São Francisco.










Nossa pausa para o almoço foi excelente no Restaurante Contos de Reis, bem próximo da Praça Tiradentes. A antiga senzala, onde ficavam os escravos, é a atual área do restaurante, que conta com a Pousada Casa dos Contos na parte de cima. No cardápio, Tutu à Mineira – arroz, tutu, torresmo, linguiça, couve, ovo e lombo – a R$ 68,00, e Frango ao Molho Pardo , com arroz, angu e couve -, também a R$ 68,00. Os pratos individuais são super bem servidos.






À tarde, sob um calor de quase 30º C, a parada foi no Museu Casa dos Contos, um casarão construído entre 1782 e 1787 para ser a residência e repartição de João Rodrigues de Macedo, cobrador dos impostos da Capitania de Minas Gerais (foto abaixo). De acordo com um dos paineis informativos, o prédio se destaca como um dos mais imponentes edifícios civis de MG no período colonial. O projeto arquitetônico foi feito por Antônio de Souza Calheiros, um dos principais mestres do ofício do século 18. A residência de Macedo funcionava no segundo andar, onde há pinturas atribuídas ao mestre Manoel da Costa Ataíde.

O casarão também foi utilizado como cárcere para os inconfidentes, dentre eles, Álvares Maciel, Luiz Vieira da Silva, Padre Rolim e Cláudio Manuel da Costa, este encontrado morto em sua cela. No subsolo ficava a senzala dos escravos, uma área apertada, com piso irregular em pedra sabão, quase sem janelas e bem próxima do local onde eram despejados os dejetos dos moradores da parte superior da casa.




Hoje abriga o Centro de Estudos do Ciclo do Ouro, o Museu da Moeda e do Fisco, salas de exposições, além do acesso central ao Parque Horto dos Contos.



Oscar Niemeyer, o arquiteto que criou Brasília e outros monumentos históricos , é o autor do projeto arquitetônico do Grande Hotel de Ouro Preto, realizado em 1938. As características do projeto permanecem preservadas.

O micro-ônibus que nos levou de Belo Horizonte até Ouro Preto e depois a Mariana.
