Mariana não pode ficar de fora de um roteiro pelas cidades históricas de Minas Gerais. Nossa visita foi rápida, como complemento às mais de cinco horas que permanecemos em Ouro Preto. A distância entre as duas cidades é de cerca de 11 quilômetros. Já Belo Horizonte fica a 146 quilômetros. Vale, sem dúvida, ficar dois dias completos em Ouro Preto e dedicar um dia inteiro para conhecer com calma todos os pontos históricos da cidade, incluindo Mariana.
Atualmente, quando se fala em Mariana logo vem à mente a maior tragédia ambiental do Brasil, em novembro de 2015, quando rompeu a barragem de Fundão, deixando um rastro de mortes e destruição. O desastre, contudo, foi 35 quilômetros distante do centro da cidade.
Com mais de 60 mil habitantes, Mariana tem um lindo conjunto de arquitetura barroca colonial. Cresceu e se desenvolveu a partir de 1711 graças à corrida do ouro. Foi a primeira vila e capital de Minas Gerais e também a primeira localidade das capitanias hereditárias, que era uma divisão administrativa que os portugueses criaram para organizar a colonização do Brasil, recebendo encontros de bispos. Isso beneficiou a cidade com a construção de igrejas.
Duas delas ficam bem próximas uma da outra na Praça Minas Gerais. A Igreja de São Francisco de Assis começou a ser erguida em 1763, com projeto arquitetônico e outros elementos ornamentais preparados por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

No outro lado da rua fica a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, cujas obras começaram em 1784. Um incêndio, em 1999, destruiu parte das pinturas do teto e dois altares. No dia da nossa visita, um sábado depois das 17h, estava acontecendo um casamento no templo.


Diante da praça fica o prédio da Câmara Municipal de Mariana, antiga Casa de Câmara e Cadeia. Conserva a estrutura que já foi destinada à senzala, casa de fundição de ouro e cadeia no andar de baixo e Fórum e Prefeitura Municipal no andar de cima, o que representava na época símbolo de poder e autonomia municipal. No centro da praça tem um pelourinho construído em 1970, porque o original foi demolido em 1870 – era outro símbolo de poder do Estado e local para punições públicas para criminosos e escravos.




Outro templo fascinante é a Catedral Basílica Nossa Senhora de Assunção ou Catedral Basílica da Sé, construída a partir de 1709, que fica no início da Rua Direita, que tem um belo conjunto de sobrados. Olhamos da porta, sem entrar, porque havia missa e a igreja estava lotada.






De longe, apreciamos a Igreja de São Pedro dos Cléricos, que é possível visualizar a partir do centro da cidade.

Mariana foi a única cidade do período colonial com traçado urbano planejado pelo arquiteto português José Fernandes Pinto Alpoim com ruas retas e praças retangulares.

O Chafariz São Francisco foi construído originalmente no alto da Ladeira de São Gonçalo, mas foi levado para a Travessa João Pinheiro no entorno da Praça Gomes Freire. Hoje não tem água, mas na época visava abastecer o Centro Histórico com água potável. A região conta com muitos casarões do século 18.


