Verona é um palco para o romantismo

Viviane e Celso Bevilacqua descrevem como foi a viagem deles pela cidade italiana de Verona

Nossa viagem pelo norte da Itália, iniciada em Milão, continuou pelas estradas de ferro do país. Após cerca de uma hora e meia de uma bela viagem de trem, mesmo na classe econômica, chegamos a um destino que tínhamos muita curiosidade em conhecer: Verona, a cidade medieval onde, segundo o dramaturgo William Shakespeare, teria acontecido a trágica história de amor entre Romeu e Julieta, conhecida em todo o mundo.
Verona, porém, é muito mais do que palco para o trágico romance fictício. É uma cidade linda, vibrante, muito bem conservada e cheia de atrativos para os milhares de turistas que tomam suas ruas diariamente. Ficamos dois dias e meio no Sole Hotel Verona (chegamos no início da tarde), sendo que em um deles fizemos um bate e volta até o Lago di Garda. Tivemos o azar de pegar chuva quase o tempo todo, o que atrapalhou um pouco os passeios ao ar livre. Mas como não dava para perder tempo e ficar no hotel nem pensar, compramos duas capas de chuva bem baratinhas para passear pela cidade.
No primeiro dia não choveu, e podemos percorrer a pé boa parte do Centro Histórico. De imediato o que chama a atenção é a enorme Arena de Verona (ou Anfiteatro), construída no século I d.C, e que abrigou lutas de gladiadores e muitos espetáculos de teatro, óperas e apresentações musicais. É considerada a Arena mais bem preservada do mundo e, por isso mesmo, costuma atrair milhares de visitantes.

O mais legal é que nos meses de verão, mesmo hoje em dia, ainda acontecem apresentações de ópera no palco da Arena, aplaudidas por um público de até duas mil pessoas. Deve ser, literalmente, um verdadeiro espetáculo. Os ingressos para esses eventos são disputadíssimos, como é de se esperar.
Nós não havíamos comprado ingresso antecipado para visitar a área interna da Arena, mas não pegamos fila grande. Quem viaja na alta temporada porém, deve garantir seu ticket antes de iniciar a viagem. 


A Arena está localizada no coração de Verona, na bela Piazza Bra, uma das praças públicas mais movimentadas e famosas da cidade. São dezenas de restaurantes, bares, lojas de vinhos e cantinas típicas dividindo espaço com igrejas seculares, palácios e monumentos históricos. 


Continuamos nosso passeio até a Piazza Delle Erbe, antigo fórum romano de Verona, e ponto tradicional de trocas comerciais Na Idade Média as principais mercadorias vendidas eram especiarias, frutas e legumes. Atualmente, a feira é um deleite para os visitantes. O cheiro de ervas, temperos, azeites de oliva misturam-se às pastas em vários formatos e cores, doces, biscoitos…enfim, uma verdadeira festa para os cinco sentidos. Simplesmente impossível sair da feira sem levar algumas lembranças gostosas de Verona para casa.


Apesar do cansaço de tanto bater perna a tarde inteira, queríamos aproveitar que já estávamos nas proximidades para visitar a tão famosa Casa di Giulietta e o romântico balcão de seu quarto (uma pequena sacada) onde ela conversava com Romeo. Não foi difícil achar a rua nem a casa, pois uma pequena multidão de turistas se acotovelava e empurrava para tentar entrar no pátio, ver o balcão e principalmente passar a mão no seio da estátua de Giulietta. Quem faz este gesto, diz a lenda, terá sorte no amor a vida inteira.


Entrar no pátio da casa e passar a mão no seio direito da Giulietta é de graça. Já para entrar na residência, que foi transformada em museu retratando como era uma casa da época e tirar uma foto na sacada, custa cerca de 12 euros por pessoa. Preferimos guardar este dinheiro e jantarmos em um restaurante tão romântico quanto a cidade.


Dia seguinte amanheceu com muita chuva, como já previsto. Usamos o ônibus turístico hop-on-hop off para conhecer o restante da cidade. Descemos no imponente Castelvecchio (castelo velho), construído entre os anos de 1354 e 1356 e que ao longo de sua história teve diversas finalidades diferentes.

Desde a reforma concluída em meados dos anos 1970, é sede do Museu Cívico de Castelvecchio. Entre as coleções expostas enquanto estávamos lá destacamos as pinturas sacras, especialmente as da Virgem Maria com o Menino Jesus, na concepção de vários pintores de diferentes épocas e escolas, além de armamentos antigos, cerâmicas e trabalhos em ouro. Vale muito a visita. Ingressos: 9 euros. 


Pegamos novamente o ônibus turístico e percorremos as avenidas que margeiam o Rio Adige, vimos a ponte de pedra do Castelvecchio e subimos até o alto da colina do Castelo San Pietro, onde o ônibus faz uma parada de 10 minutos para que as pessoas possam admirar e fotografar as mais lindas paisagens de Verona. Também é possível chegar lá de funicular, e curtir por mais tempo as belezas do lugar.
Por tudo isso e muito mais Verona é uma cidade imperdível em qualquer roteiro pelo Norte da Itália.

Igreja de San Giorgio em Braida
Igreja Católica de San Fermo Maggiore 


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