A Itália entrou na segunda etapa da nossa viagem depois de 11 dias entre Paris e Nice, na Côte d`Azur, desde o dia 30/12/24. Nosso destino dia 9/01/25 foi Ventimiglia já em território italiano em um trem regional ao custo de 20,40 Euros para o casal. De lá seguimos para Gênova, capital da Ligúria, por mais 35 Euros. Uma viagem tranquila, com diversas paradas ao longo dos dois trajetos de quase três horas.


Descemos na Estação Príncipe, no Centro Histórico. Pelo Booking, escolhemos o hotel Bellevue, que fica ao lado da estação, a cerca de 70 metros de distância. Um hotel muito mais simples do que constava no site e que não faz jus a 1 estrela sequer, embora esteja ranqueado com 3, com uma péssima rede de wifi e um café tão pobre em opções que o custo de 6 Euros por pessoa não compensa.

Com quase 600 mil habitantes, Gênova durante séculos dominou o comércio marítimo da Europa. É uma cidade para se conhecer caminhando, principalmente no Centro Histórico e no Porto Antigo. São ruas estreitas e muitas vielas, onde todo o cuidado é pouco, principalmente à noite, de acordo com o alerta do porteiro do hotel. Dois dias inteiros são suficientes para conhecer os principais pontos de Gênova, desde que você se disponha a caminhar bastante.







Pelo Porto Antigo sempre há movimentação de pessoas passeando por toda a sua extensão. Chama a atenção, contudo, a rodovia elevada (como um viaduto) que passa sobre boa parte da área. A obra tira um pouco da beleza local e cria uma sensação de corte entre o porto e o casario antigo. O porto, que foi totalmente reconstruído em 1992, com projeto do arquiteto italiano Renzo Piano, conta com algumas atrações imperdíveis na cidade.









Aquário de Gênova
Vale a visita. O ingresso custa 31 Euros por pessoa. O aquário tem 27 mil metros quadrados de superfície e conta com 500 espécies de peixes e outros animais e 200 espécies vegetais. É o maior da Europa em número de animais. Na nossa opinião, está no mesmo nível dos aquários de Lisboa e de Barcelona.






Biosfera
Ao lado do Aquário fica a Biosfera, uma bolha gigante de vidro suspensa sobre o mar. A esfera contém um ecossistema tropical, com animais e plantas, incluindo uma Cacatua que faz pose e grita para os visitantes. O ingresso é 5 Euros por pessoa.




Galata Museo del Mare
Muito interessante, porque apresenta toda a história da navegação, conta com reproduções de navios, incluindo um galeão genovês de tamanho original, além de mapas marítimos antigos com sistemas interativos e traz também toda a história sobre o navegador Cristóvão Colombo. Há relíquias como as cartas de navegação da época, material bélico, e até equipamentos usados nas antigas embarcações. O museu também documenta a emigração (com e mesmo) de multidões de italianos para outros países, inclusive para o Brasil. É um andar inteiro que trata sobre o tema e onde o visitante tem a oportunidade de entender melhor a experiência de quem teve que abandonar seus pais em busca de uma vida mais digna em terras desconhecidas. Um fenômeno bem atual e que, em vários países da Europa, está na pauta dos debates políticos. Com o mesmo ingresso – 17 Euros por visitante – é possível visitar o submarino Nazario Sauro ancorado no cais em frente ao museu.









La Lanterna
O farol de pedra de Gênova conduz os navios ao porto desde os tempos medievais. Tem 76 metros de altura, sendo o segundo farol de alvenaria mais alto do mundo.


Paraíso para compras
Pouco além do Aquário tem uma loja do Eataly, um supermercado com todos os tipos de produtos italianos, desde massas, frutas, verduras, vinhos, prosecco, águas, cervejas, outras bebidas, carnes, doces, queijos, presuntos, mortadelas, manteiga, pães, pizzas, café e restaurantes, enfim, um verdadeiro paraíso. Foi o nosso ponto de parada todos os dias sempre no fim da tarde para comprar vinho, água e prosecco.



Outras atrações imperdíveis em Gênova.
Catedral de San Lorenzo
Foi construída por volta de 1098 numa região onde escavações arqueológicas identificaram ruínas do período romano. A Catedral abriga as cinzas de San Giovanni Battista, padroeiro da cidade, que chegou a Gênova no final da Primeira Cruzada. A igreja é uma obra prima gótica e românica, toda em mármore preto e branco em bandas alternadas. A arte e a arquitetura revelam a riqueza histórica e o poder da antiga república marítima.



Piazza Ferrari
É a principal praça de Gênova. Separa o Centro Histórico do moderno centro da cidade. Uma linda fonte é a atração principal. A praça leva o nome de Raffaele de Ferrari, que doou dinheiro para ajudar a expandir o porto de Gênova no século 19. Chama a atenção, no outro lado da praça, uma estátua em homenagem a Giuseppe Garibaldi, o general, guerrilheiro, mercenário e patriota italiano que foi denominado de heroi de dois mundos por ter participação em conflitos na Europa e no Brasil – Rio Grande do Sul, principalmente.



Via Giuseppe Garibaldi
É uma das ruas mais famosas do centro de Gênova. Foi construída pela primeira vez por volta de 1500, quando era chamada de Strada Maggiore ou Grande Rua. Depois ficou conhecida como Strada Nuova ou Nova Rua. Em 1882 foi rebatizada em homenagem a Garibaldi. Desde 2006 os palácios históricos que ficam ao longo da via foram adicionados à lista de Patrimônios Mundiais da Unesco.


Palazzo Ducale
Construído em 1298 para destacar a riqueza de Gênova depois de se transformar em centro de comércio marítimo, o Palazzo Ducale foi residência do governante da região e, hoje, é um centro cultural, espaço para eventos e museu com exposições rotativas.

Basílica de Santissima Annunziata del Vastato
É apontada como uma das igrejas mais bonitas de Gênova. O interior é todo dourado e abriga grandes obras da pintura genovesa. Logo acima da porta de entrada está o quadro com A Última Ceia de Giulio Cesare Procaccini, a pintura de 40 metros quadrados, a maior em extensão ainda hoje preservada na cidade. A pintura baseia-se no modelo de Leonardo da Vinci, em Milão. Parte da Basílica foi destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial.




Porta Soprana
Era a entrada da cidade medieval para quem chegava a Gênova vindo do leste. Dominava a colina de S. Andrea, que leva o nome do mosteiro demolido no século 19 para dar origem à Via Dante. As altas torres que emolduram a entrada ainda ostentam as duas placas latinas que comemoram, com o feito arquitetônico, as glórias de Gênova.


Casa de Cristóvão Colombo
Logo abaixo da Porta Soprano, fica a casa onde o navegador Cristóvão Colombo viveu quando criança. O memorial é pequeno e pode ser visitado. Ao lado, fica o claustro medieval da Igreja Monástica de Sant’Andrea, que acabou destruída.


Trattoria della Grazie
Sempre buscamos pontos diferentes nas nossas viagens. Na nossa caminhada pelas vielas do Centro Histórico chamou a atenção uma aglomeração de pessoas na frente de um pequeno restaurante, a Trattoria della Grazie, na Via S. Giorgio quase em frente a Vico di S. Cosimo. Fomos conferir e verificamos que a casa tinha cinco selos de reconhecimento da Slow Food Editore. Foi o sinal para a nossa parada de almoço no dia 10/01/25 – um ravioli à bolonhesa e um nhoque ao pesto, acompanhados de pão e vinho da casa ao custo de 30 Euros. O cardápio de opções é bem simples e está escrito à mão.







Boccadasse
Nunca ouvimos falar, mas descobrimos um local que não pode ficar de fora de uma viagem à Gênova: Boccadasse, uma pitoresca vila de pescadores que fica no bonito bairro de Albaro. Pegamos o metrô na Estação Príncipe em direção ao terminal Brignole, uma área mais moderna. Até parece outra cidade, com avenidas largas e prédios lindos. Em frente ao terminal existem diversas paradas de ônibus. Pegamos a linha 31 ao custo de 2 Euros por pessoa. Os tíquetes devem ser comprados em uma das tabacarias próximas aos pontos dos ônibus.


O motorista que nos informou que era necessário comprar os tíquetes na tabacaria teve a paciência de nos esperar e, depois, indicou onde deveríamos descer para acessar Boccadasse. Dez minutos de viagem e o ônibus nos deixa a 200 metros do vilarejo. Chega a lembrar um pouco as cidades que fazem parte da Cinque Terre. É um espetáculo, com as casas coloridas e um pequeno trecho de praia com pedras e diversos barcos guarnecidos. Sem dúvida, é um lugar imperdível quando se visita Gênova.








Aproveitamos para almoçar na Dindi Trattoria – espaguete ao molho bolonhesa e lasanha ao pesto -, com visual do mar e da pequena praia. Uma garrafa de vinho e outra de água mineral para acompanhar, ao custo total de 50 Euros.




Gênova nunca esteve em nossos planos, embora já tivéssemos passado de trem outras vezes pela cidade a caminho de Milão, vindos de Nice. Mas foi interessante incluí-la em nosso roteiro.
Valeu!