Depois de três dias e meio em Gênova, seguimos para La Spezia, onde fizemos nossa base para conhecer as Cinque Terre – Monterosso Al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore.


Optamos por começar o roteiro por Monterosso, a última das terras a partir da estação de La Spezia. A viagem durou cerca de uma hora e 10 minutos, porque o trem faz paradas em todos os vilarejos. Em parte do trecho acompanhando o espetacular visual do Mar Mediterrâneo, graças ao bom tempo, mas a maior parte do percurso é por túneis escavados nas rochas.
La Spezia oferece um excelente conjunto de hoteis e de affitacamares, que é uma estrutura composta por um quarto de apartamento com banheiro privativo. Tem ingresso autônomo. Escolhemos pelo Booking o Affittacamere Lunamar, que ficava a menos de 200 metros da Estação La Spezia Centrale. Da janela do quarto era possível avistar os trens. O único ponto fraco é que o café da manhã estava disponível a uns 300 metros do prédio, no calçadão principal da cidade.

O anfitrião Lucca foi muito simpático ao nos receber, logo disponibilizando o mapa da cidade e dicas preciosas de restaurantes e sugerindo um passeio também a Portovenere, que não faz parte das Cinque Terre, mas bem que poderia pela beleza e singularidade.

Para conhecer Cinque Terre o ideal é comprar um bilhete ( o passe de um dia) de trem válido para todas as cinco cidades ao custo de 14,80 Euros por pessoa. O tíquete pode ser adquirido numa lojinha instalada na estação, onde também tem mapas da região e outras lembrancinhas. É possível realizar o percurso por uma trilha pelos penhascos, mas exige fôlego. O visual do mar azul, contudo, deve ser impressionante. Aos aventureiros um aviso: o caminho nem sempre está liberado, por questão de segurança.

Cinque Terre representa um conjunto de vilas centenárias à beira-mar na acidentada costa da Riviera Italiana. Em cada uma das cinco cidadelas, casas coloridas fazem parte do cenário como se fossem um conjunto de “edifícios” agarrados nas rochas. Quatro têm pequenos portos cheios de barcos, onde predomina a cor azul. Corniglia fica no topo da montanha. Quem tem o bilhete de trem pode aproveitar o pequeno ônibus que liga a estação até a cidadela. Todas são consideradas Patrimônio Mundial pela Unesco como Paisagem Cultural e integram o Parco Nazionale delle Cinque Terre.

Em razão do rigor do inverno, existem poucas trattorias e restaurantes abertos em janeiro. O movimento de turistas, apesar do frio, é sempre constante. Foi assim no dia da nossa peregrinação – 13/01/25, uma segunda-feira. Em alguns locais era difícil encontrar um espaço para fotografar com calma. Em cada estação, uma pequena multidão subia ou descia do trem.
Monterosso al Mare
É a maior cidade de Cinque Terre cujos primeiros registros históricos datam de 1200. É a única das cinco aldeias que possui uma praia de areia e um longo calçadão à beira-mar. É a mais distante de La Spezia. Está dividida em duas partes com acesso por um túnel de cem metros. De um lado fica a zona residencial e a estação de trem. Do outro lado está o antigo porto e cais de atracação de barcos. É a que impressiona menos, por estar diante da praia e não tem um grande conjunto de casas coloridas.
Num dos cantos da praia tem uma estátua de 14 metros de altura, denominada de O Gigante, representando o deus Netuno.







Vernazza
É uma das mais bonitas das Cinque Terre. Surpreende desde a estação de trem até o mar, em um percurso de menos de 200 metros em uma rua principal. Boa parte das pequenas travessas são íngremes e estreitas. As informações históricas indicam ter sido fundada por volta do ano 1000. Tem uma pequena praça diante da praia que é rodeada de muros de pedra.









A Igreja de Santa Margarita de Antioquia foi erguida por volta de 1318. Aproveitamos para almoçar na Taverna del Capitano, quase ao lado da igreja. Pedimos um tagliatelle ao molho de ragu, uma torta de legumes e salada, acompanhados de 1,2 ml de vinho e água natural. Tudo por 40 Euros. Era um dos poucos restaurantes abertos em Vernazza e estava lotado.







Corniglia
É a única das Cinque Terre que não está colada ao mar. Fica a mais de 100 metros de altura da estação de trem. Quem tem o passe diário do trem pode utilizar um micro-ônibus que leva até a praça principal no topo da montanha. Também é possível subir pela estrada ou por uma longa escadaria até a aldeia. Haja fôlego.
Corniglia tem pelo menos dois pontos de onde se pode olhar a imensidão do Mediterrâneo. A vila tem muitas ruelas estreitas. Caminhamos pela cidadela, subimos e descemos as ruelas, e encontramos apenas um bar aberto. Pela dificuldade de acesso, Corniglia é o menos visitado entre os cinco vilarejos, mas justamente pela localização, um dos mais pitorescos Assim como as demais terras, as primeiras informações sobre Corniglia datam de 1254. Saímos de cidadela com uma curiosidade: mais ou menos uns 200 (ou mais) metros acima de Corniglia, avistamos outra comunidade, mas que sequer é citada nos mapas turísticos. Imaginamos quem seriam aqueles intrépidos moradores de um local tão inóspito e pouco acessível.















Manarola
Construída sobre um rochedo de 70 metros de altura, Manarola é encantadora e fascinante, com suas casas coloridas diante a imensidão do mar de um azul profundo. Um túnel faz a ligação entre a estação do trem até o centrinho da aldeia. Uma descida leva até uma pequena praça diante do mar e é possível percorrer um caminho até o topo da montanha, de onde o visual é ainda mais espetacular.





Os barcos estão “estacionados” ao longo dessa descida. Dá uma vontade de passar todo o dia apreciando o visual. Mas optamos por continuar o roteiro até a próxima terre, Riomaggiore, que é tão próxima, que a impressão que se tem é que o trem nem saiu do lugar.











Riomaggiore
Para nós, ficou difícil decidir qual das aldeias de Cinque Terre é a mais bonita: ficamos entre Manarola e Riomaggiore. Sem dúvida, uma resposta difícil, porque elas são simplesmente fascinantes. Chegamos em Riomaggiore próximo ao por do sol, acompanhados de uma multidão de turistas disputando espaço pelas escadarias até um belvedere, onde o visual do entardecer era simplesmente espetacular. Ninguém arredou pé até que o sol se escondeu totalmente deixando o céu pintado de um alaranjado indescritível. O visual é impactante, as cores vivas das casas ficam ainda mais vibrantes durante o poente. É uma pintura em tons dourados que poderia adornar qualquer parede.
A aldeia não tem praia, mas um pequeno porto, onde diversas canoas estão “estacionadas” na calçada. As informações indicam que a aldeia é do século 7. Um longo túnel de quase 200 metros liga a estação de trem até a cidadela. Eram tantas pessoas disputando espaço no túnel que nos impressionamos. Faz muitos anos que viajamos nesta época do ano e geralmente é um período de baixa temporada por conta do frio. Já chegamos em cidadezinhas que era somente nós, eu e a Rossani, os turistas vagueando pelas ruas. Mas a sensação que ficamos visitando a região, desde Gênova a La Spezia, é que neste ano o inverno não espantou os turistas.

















Quando descemos na estação de La Spezia, no começo da noite, teve até engarrafamento de gente. A visita à região vale muito e recomendamos que a base para os passeios seja em La Spezia, que também é uma bela cidade e oferece boas atrações. Tiramos uma manhã para conhecer a cidade, que tem 90 mil habitantes.

Show, Cinque Terre!!!