O sol e o céu azul deixam Veneza ainda mais linda

Viajar de trem em qualquer país da Europa tem as suas vantagens, mas também é preciso lembrar que alguns roteiros podem demorar algum tempo. Haja paciência. Foi o que enfrentamos para deixar La Spezia, no Mar da Ligúria, e chegar a Veneza, no Mar Adriático. 

A nossa viagem passou pela Estação Central de Milão, onde trocamos de trem. De um trem comum – Trenitalia – para um Frecciarossa, veículo de alta velocidade da Itália. Em alguns momentos do percurso entre Milão e Veneza ultrapassou os 250 quilômetros por hora. Deixamos La Spezia às 10h07min e chegamos na Estação Santa Lucia, em Veneza, no norte da Itália, às 16h42min, ao custo total de 156 Euros para duas pessoas.

Esta foi a nossa segunda visita a Veneza. A primeira, em 2008, foi curta demais. Estávamos em uma excursão que começou em Paris e, 23 dias depois, terminou em Roma. Visitamos Veneza uma noite e, no dia seguinte, manhã até o meio da tarde. Ou seja, no total não chegou a 24 horas, mas permitiu que tivéssemos uma ideia. Na época, nosso hotel ficava em Mestre, cidade vizinha a Veneza, na parte continental.

Desta vez, optamos por ficar em Veneza. A escolha pelo Booking foi pelo Hotel Bisanzio – https://www.bisanzio.com/ -, um prédio obviamente antigo, com decoração peculiar e com uma ótima oferta para três noites, com café da manhã. 

Da estação de trem até o hotel, próximo da Praça de São Marcos, foram quase 50 minutos de caminhada por infindáveis vielas, inúmeras pontes e escadas. Foi cansativo, já que estávamos com bagagem, mas aprendemos que o melhor para se deslocar em Veneza nessa situação é optar pelo único transporte possível: barco. Poderíamos ter pegado um barco-ônibus diante da estação de trem e desembarcado na parada San Zaccaria, a menos de 200 metros do acesso ao hotel, aliás, excelente e muito bem localizado. A passagem para duas pessoas nesse percurso de 40 minutos custa 19 Euros. 

Desta vez percorremos todos os cantos de Veneza sem pressa, curtindo o clima da capital do Vêneto. Foram três dias de frio intenso, mas com céu azul e sol. A cidade estava lotada de turistas. Em alguns pontos, como na travessia próxima a Estação de Trem, chegava a ter “congestionamento” de pessoas.

O movimento de turistas, apesar do frio, e imagine na alta temporada

Formada por mais de 100 pequenas ilhas em uma lagoa no Mar Adriático, a cidade conta com apenas canais de navegação, com o Grande Canal, e tem muitos palácios góticos e renascentistas. Na Praça São Marcos, no coração de Veneza, fica a Basílica de São Marcos, repleta de mosaicos bizantinos. 

Também na Praça São Marcos fica a Torre dell’Orologio, que foi construída no fim do século 15. O mostrador do relógio, esmaltado em dourado e azul, tem representações das fases da lua e dos signos do zodíaco, e foi projetado pensando em marinheiros.

O Campanário de São Marcos tem quase 100 metros de altura e, desta vez, estava fechado para ir até o topo. Em 2008, visitamos e vimos Veneza do alto. Ainda sobre a Praça de São Marcos: desta vez estava em reforma e com pouca iluminação à noite. Também notamos que reduziu a população de pombos. Em 2008, a Rossani se divertiu com a revoada de pombos que se aproximavam de cada um que oferecesse algumas migalhas de alimentos.

Com cerca de 250 mil habitantes, Veneza é composta por mais de 120 pequenas ilhas separadas por canais e ligadas por pontes, algumas com rampas sobre os degraus, o que facilita a caminhada. Faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1987. Foi construída sobre troncos de madeiras. 


A Ponte de Rialto é a ponte em arco mais antiga e mais famosa sobre o Grande Canal. Ela foi formalmente a única ligação permanente entre os dois lados do Grande Canal, até abrirem as restantes travessias, de acordo com dados da Wikipédia.

As ruelas são estreitas, algumas muito estreitas, e tudo é ligado por travessias. São mais de 400. A mais famosa, a dos Suspiros, que ligava o belo Palácio Ducal ao primeiro edifício construído para ser uma prisão. Segundo a lenda, o nome é devido aos prisioneiros que suspiravam ao fazer a travessia, porque seria a última vez que veriam o mundo exterior. Para atravessar a pequena ponte construída em 1600, como faziam antigamente os prisioneiros, é necessário reservar ingresso para o Palácio Ducal, o que não fizemos.

A cidade é um conjunto de ilhotas que começaram a ser povoadas e anexadas umas às outras a partir do século 7. 

Em uma das nossas caminhadas encontramos um excelente local para uma pausa, com vinho e um lanche básico. La Prosciutteria, na Strada Nova, 3843, onde pedimos duas taças de vinho acompanhadas de fatias super finas de presunto de pata negra, um porco produzido principalmente na Espanha e em Portugal, acompanhadas de pão, ao custo de 30 Euros. O local é pequeno, poucas mesas e bem aconchegante, com uma decoração repleta de presuntos pendurados e de vinhos. E o atendimento é excelente.

É necessário ficar de olho nos menus expostos em frente aos estabelecimentos, porque os preços dos restaurantes variam bastante, dependendo do local. Os mais próximos da Praça São Marcos são mais caros, mas com diferenças pequenas. 

Veneza é uma cidade  tranquila – a mais segura do mundo, de acordo com o porteiro do Hotel Bisanzio, mesmo caminhando à noite nas pequenas e pouco iluminadas vielas entre os diversos canais. 

Na nossa primeira noite em Veneza decidimos comer uma pizza. Em uma caminhada pelas vielas próximas da Praça de São Marcos encontramos o Restaurante La Pizza – https://ristorantelapiazza.it/. Estava praticamente lotado, mas conseguimos uma mesa em uma das diversas salas. Uma pizza e um calzone, com duas taças de vinho e água custou 52 Euros. 

Na nossa segunda noite fomos literalmente surpreendidos pelo Giuseppe, um senhor que estava diante do restaurante Convivio, bem próximo do nosso hotel. Ao olharmos o menu, Giuseppe nos abordou e ofereceu uma taça de vinho antes do jantar. Resolvemos prosseguir na nossa caminhada até a Praça São Marcos e, depois de uma hora, retornamos ao restaurante, para a alegria do Giuseppe.

O trabalho dele é ficar “conquistando” os clientes e pelo jeito dá certo, porque diversas pessoas entraram no Convivio – Campo Santi Filippo e Giacomo, 4293 – para jantar no período em que estávamos no restaurante. Escolhemos espaguete ao molho de polpettes (almôndegas) e espaguete a carbonara, acompanhados de uma garrafa de 375ml de vinho tinto. O jantar delicioso, o atendimento e a simpatia do Giuseppe custaram pouco mais de 50 Euros.

No terceiro dia em Veneza aproveitamos para conhecer dois “bairros” fantásticos. Murano e Burano, em uma excelente viagem de barco na linha 41, com saída em San Zaccaria.  Compramos dois passes para visitar as duas ilhas ao custo de 50 Euros (o interessante do passe por um dia é que permite usar o transporte quantas vezes quiser, durante o dia inteiro e em qualquer trajeto). Mais uma vez a “Nossa Senhora da Viagem” ajudou no nosso roteiro, com um dia espetacular. A viagem até Murano durou quase uma hora, com um visual lindo e que permite entender melhor a geografia de Veneza.

Murano é reconhecida pela sua longa tradição de fabricação de cristal e vidro. E nem é preciso dizer que as lojas do tradicional e valorizado vidro de Muranos dominam a paisagem. E realmente impressionam os produtos fabricados na pequena cidade, de todos os formatos, cores e modelos. É a maior ilha da Lagoa Veneziana depois de Veneza, com uma população de cerca de 5 mil habitantes. Na ilha se encontra uma das igrejas mais antigas da região, a Basílica de Santa Maria e San Donato. Infelizmente, não foi possível visitar o Museu do Vidro, que conta com mais de 4 mil objetos como frascos fenícios, cálices, espelhos e caleidoscópios. Em um dos canais está a Torre do Relógio de Murano, erguida no século 19, visível de diversos pontos de Murano.

Ponto de parada e descida em Murano depois de quase uma hora de viagem

Outro ponto que chama a atenção é o Farol de Murano, que contribui de forma vital para a navegação na região e onde tem uma parada do barco para seguir até Burano, uma viagem de mais 30 minutos.

A parada do barco que leva até a região de Burano, viagem de meia-hora

Burano também fica na lagoa de Veneza e é conhecida pelos cristais e renda – é comum ver mulheres realizando o trabalho nas lojas, lembrando muito as tradicionais rendeiras de Florianópolis. Informações turísticas indicam que a origem da renda faz parte de uma lenda. Um marinheiro apaixonado ofereceu a uma jovem veneziana uma planta aquática chamada renda de sereia. Seduzida, a jovem imortalizou a sua bela forma com fios e, assim, nasceu a renda. A ilha tem cerca de 4 mil habitantes.

Mas o que mais chama a atenção em Burano é o colorido das casas. É impressionante. Todos os tons de vermelho, amarelo, verde, lilás, fúcsia, laranja, rosa, entre outras cores. Burano estaria entre as dez cidades mais coloridas do mundo, de acordo com revistas de turismo. Na localidade não circulam carros. Apenas barcos.

Um campanário chama a atenção de longe. Dá a impressão e é realmente verdade que está levemente inclinado. É denominado de Il Campanile Storto em dialeto italiano. Foi construído no século 17 e tem características arquitetônicas renascentistas e neoclássicas.

Na nossa última noite em Veneza decidimos jantar em um restaurante próximo do hotel na Salizada S. Provolo, 4625. A Trattoria Alla Riveta – https://www.allarivetta.it/ – apresenta o cardápio dos pratos dentro de uma peça semelhante a uma luminária, ao lado da porta de acesso ao restaurante. Estava lotado. A Rossani escolheu penne a carbonara e eu fui na tradicional massa ao molho de ragu, acompanhados de vinho tinto e água natural. A despesa foi de 55 Euros.

Enfim, três a quatro dias são suficientes para conhecer Veneza, se perder entre as vielas (não tem como não se perder na cidade, mas com a quantidade de indicações que levam à Praça São Marcos, fica fácil se localizar novamente).

Veneza é uma cidade linda, única e acolhedora. E outro detalhe: um ícone turístico e centenário de Veneza são os gondoleiros com seus trajes típicos. Desta vez não passeamos de gôndola, mas pra quem se interessar pelo passeio de uma hora, custa em torno de 90 Euros.  O entardecer é um espetáculo de cores em Veneza.

Mesmo com a temperatura girando entre 3ºC e 10ºC ao longo do dia, em janeiro, o movimento de turistas era bem grande. Imagino na alta temporada, a partir de maio até setembro. Fica, sem dúvida, difícil de caminhar pelas vielas de Veneza.


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