Minas Gerais deve entrar nas metas de viagens turísticas nacionais, independentemente da duração do roteiro. Foi o que eu e a Rossani Thomas decidimos realizar de quarta à noite (18/09) até domingo pela manhã (22/09). Foi uma correria, mas valeu a pena.
No roteiro, um dia exclusivamente em Belo Horizonte (BH), passeios de ida e volta a São João Del Rei e Tiradentes e outra viagem de ida e volta a Ouro Preto e Mariana. A primeira conclusão é que as cidades históricas merecem pelo menos sete dias, além de BH.
Atente-se a um detalhe: caso chegue na capital mineira entre segunda e quarta-feira, a partir das 22h30min, em voo de São Paulo ou de qualquer outra cidade, faça um lanche ou jante no próprio Aeroporto de Confins. A viagem entre o terminal e o Centro de BH demora, no mínimo, 45 a 50 minutos e depois das 23h30min dificilmente você encontra um local aberto que ainda sirva jantar.
Entre quinta-feira e domingo, pelas informações que obtivemos, o horário é mais estendido. Entre o aeroporto e nosso hotel no Centro, o Dayrell, um 4 estrelas meio decadente, nos deslocamos de táxi executivo que contratamos no momento da chegada em uma das quatro empresas cadastradas que atendem no local. A corrida, tabelada, custou R$ 165. Fomos muitíssimos bem atendidos pelo Carlos (31 997023826).
No nosso único dia livre em BH priorizamos dois passeios. Complexo da Pampulha, com destaque para a Igreja São Francisco de Assis, inaugurada em 1943. O projeto arquitetônico da igreja é de Oscar Niemeyer. Foi o último prédio a ser inaugurado do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. A entrada na igreja custa R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia).



Além da estrutura totalmente inovadora da igreja, chama a atenção o altar com mural de Cândido Portinari, de 1945. Nas laterais, pinturas de Portinari sobre telas de madeira apresentam a Via Crucis de Jesus Cristo. Na parte externa, o artista criou o painel em azulejos pintados em azul e branco retratando cenas da vida de São Francisco.
A Igreja é reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro desde 1947. Está inserida no Conjunto Moderno da Pampulha, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 2016.



Outro ponto que deve ser visitado na região é a Casa do Baile, também um projeto arquitetônico de Niemeyer, de 1943, criado para ser um restaurante dançante. Após anos, abandonada ou sendo explorada comercialmente e sofrendo intervenções aleatórias, foi reaberta em dezembro de 2002, transformando-se em Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e do Design, ligado à Fundação Municipal de Cultura.




Da Igreja até a Casa são mais de 2 quilômetros de caminhada às margens da lagoa, sob uma temperatura acima dos 30º. Obviamente, não percorremos toda a extensão de 18 quilômetros da lagoa. A visita a outros dois prédios do complexo criados por Niemeyer, o Iate Tênis Clube (passamos na frente quando seguíamos para a Casa do Baile) e o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), ficaram para a próxima visita a BH.

Da Pampulha seguimos para o Mercado Público Central, outro passeio obrigatório que é uma das maravilhas de BH há mais de nove décadas. Tem de tudo nos cerca de 400 boxes e várias opções de restaurantes. Temperos, queijos, carnes, roupas, bolsas, calçados e todos os tipos de quinquilharias para casa. Faz a festa dos turistas e é um dos pontos de encontro dos mineiros, especialmente os botecos (o do Antônio é um dos melhores).


Para comprar queijo da Canastra e os melhores doces a dica dos locais foi a Loja da Zelinha (Irmãos Costa), num dos corredores do Mercado, pela qualidade dos produtos.

O Mercado é um local para passar boa parte do dia. Almoçamos no restaurante Casa Cheia, sempre lotado e com fila de espera, e saboreamos três pratos típicos das receitas mineiras com nomes estranhos.


Almôndegas exóticas, uma mistura de carne de sol com recheio de queijo da Canastra ao creme de abóbora com manjericão, queijo ralado e cheiro verde, por R$ 40, seis unidades.
Mexidoido chapado, produzido na chapa com arroz, legumes cozidos ao azeite, lombo, linguiça caseira, pernil, ovo de codorna frito, tempero especial e cheiro verde. Serve duas pessoas e custa R$ 45.
Nosso terceiro prato foi o famoso fígado bovino acebolado com jiló, um ícone local que nem sempre agrada os paladares, mas que caiu no nosso gosto e bolso, por R$ 42.


Os três pratos, vários chopes, duas águas e a taxa de serviço, custaram R$ 242. Aliás, comparados a Florianópolis, os preços nos botecos e restaurantes de Minas Gerais, incluindo BH, são bem mais baixos e, independentemente do quanto se consome, o atendimento é sempre muito bom e acolhedor.


Outra atração de Belo Horizonte são os botecos. Como eles dizem, BH não tem mar, mas tem bar. São mais de 4,1 mil, de acordo com dados da Receita Federal. Tem botecos para todos os gostos e bolsos.
Infelizmente nossa programação ajustada não permitiu conhecermos muitos botecos. Escolhemos o Esquina, localizado no cruzamento das ruas Sergipe, 146, e Timbiras. Muitos chopes bem gelados, acompanhados de dadinho de tapioca e pastel de carne e frango. Música ao vivo, de ótima qualidade. Atendimento muito bom e a conta, R$ 174, com a taxa de serviço. Preferimos nos deslocar de táxi e optamos pela Coopertáxi (31 21082424).


A ideia era curtir a noite de sexta e sábado (20 e 21) em outros botecos, mas a programação das viagens demoraram mais do que o previsto. Nesse ponto é importante ficar ciente: nada do que é programado é cumprido. O passeio que seria de 12 horas, durou 15. O de 10 horas, durou 12. O trânsito nas rodovias que levam às cidades históricas é sempre muito intenso, e na cidade de BH, uma das primeiras capitais planejadas do país, é pesado e demanda paciência.
Contratar excursões em ônibus ou micro-ônibus é uma boa opção para quem prefere não enfrentar as rodovias para conhecer as cidades históricas mineiras. A vantagem é não ficar preocupado com estacionamento e nem com o trânsito nas estradas. O custo, no entanto, é maior do que o aluguel de um carro, que tem também a vantagem de você estabelecer os horários de saída e retorno e não esperar por ninguém, porque sempre tem os que não respeitam os horários estabelecidos pelos guias. E outra vantagem de contratar passeios é que os guias geralmente têm muito conhecimento histórico e dicas interessantes sobre o que fazer e como aproveitar o melhor de cada cidade.
Entre os dois passeios a quatro cidades históricas gastamos R$ 1,1 mil, mais ou menos o dobro do que gastaríamos com aluguel de carro e combustível, mas optamos pela comodidade. Na sequência, vamos contar sobre os passeios.