Èze-Village: visual deslumbrante da Riviera Francesa

Sempre existem cidades que você deve voltar, principalmente quando a primeira visita ocorreu muitos anos atrás. Foi o que fizemos no dia 7/01/25, quando resolvemos revisitar Èze-Village, um dos lugares mais lindos da Riviera Francesa e com uma vista deslumbrante para o Mediterrâneo. Fica a uns 20 minutos de ônibus de Nice, nosso ponto fixo nessa e outras viagens. É a linha 82 e sai da Rue Barla, 200 metros da Praça Garibaldi (descemos do metrô nessa estação) em direção ao Hospital Pasteur. Compramos um cartão que valia para o metrô e ônibus. O trajeto até Èze é de tirar o fôlego. O ponto final do ônibus fica a cerca de 100 metros da entrada de Èze-Village. 

Também dá para ir de trem, mas será necessário enfrentar uma longa subida até o topo da montanha – quase 500 metros acima do nível do mar. Uma caminhada de mais de uma hora. É o chamado  “Caminho de Nietzsche”, por onde o filósofo subia e descia o monte, no período em que viveu em Èze e escreveu um dos capítulos do livro “Assim falava Zaratustra”, de acordo com o folheto distribuído na Oficina de Turismo.

Se precisar de banheiro, fica a direita da Oficina de Turismo ao custo de 0,50 Euro por pessoa.

Em Èze-Villagem cada passo é um encanto pelas ruelas estreitas com casas de pedras enfeitadas pela vegetação. A cidadela medieval tipicamente provençal remonta a 1388 quando fazia parte do Condado de Savoia. Sofreu ataques sarracenos e franceses no século 14. 

Um dos locais que chama a atenção é o Chateau de la Chèvre d’Or – Castelo da Cabra de Ouro. O nome foi adotado por causa de um animal mítico que assustava aqueles que buscavam tesouros na vila. 

Muitos dos restaurantes instalados em Èze estão fechados durante o inverno. Outro hotel cinco estrelas instalado no vilarejo, o Chateau Eza Hotel, ostenta o selo Michelin 2024. 

A Igreja de Nossa Senhora da Ascensão datada de 1764 estava em obras e o acesso ao interior não era permitido. Também estava vetado o acesso pelas ruelas até a Capela de Santa Cruz, erguida em 1306. 

No topo do vilarejo, onde estão as ruínas de um castelo, há o magnífico Le Jardin Exotique a 429 metros acima do nível do mar. O que era um castelo foi desmantelado pelos soldados do rei francês Luís XV em 1706. 

O acesso ao jardim custa 5 Euros por pessoa. O local foi concebido pelo engenheiro agrônomo Jean Gastaud e possui plantas como agraves, aloé Vera, euphorbia e muitos cactos. É tanta beleza em cada canto que a gente caminha, sobe e desce e nem se cansa. O visual do Mar Mediterrâneo é simplesmente espetacular, sendo possível avistar lá do alto a também bela e caríssima Saint-Jean-Cap-Ferrat.

Trabalhadores realizavam obras de contenção nas paredes das ruínas do castelo
Do topo é possível avistar Saint-Jean-Cap-Ferrat

Saint-Paul-de-Vence é outra cidadela medieval que fica nas proximidades de Nice e já foi descrita no bloco.

https://blocodeviagensdosthomas.blog/2016/01/05/a-cidadela-medieval-de-saint-paul-de-vence/

É raro na região da Riviera Francesa, mas tem dias chuvosos

A chuva na chamada Costa Azul não é nada frequente, mas também pode fazer parte do roteiro de viagens. Na maioria das vezes é preciso contar com a sorte para ter o céu azul e o sol como companhia nas andanças. Não foi o caso do dia 6/01/25, quando resolvemos conhecer Saint-Jean-Cap-Ferrat, um lugar paradisíaco e considerado reduto de bilionários a 20 minutos de ônibus de Nice.

A linha 15 do ônibus sai do Lycee-Massena, uma rua bem próxima do fim da linha do metrô em Port Olympia. A chuva quase não deu trégua durante todo o nosso passeio, mas ainda assim foi possível visualizar a beleza do local. 

Cap-Ferrat conta com pouco mais de 2,5 mil habitantes. Desde o final do século 19, a península se transformou no local de férias para famílias de Nice e para muitos abastados de várias nacionalidades, com cacife para pagar alguns milhões de euros por uma propriedade. O porto local não é grande e nem vimos super iates, mas havia muitos barcos de todos os tipos e tamanhos.

Por causa da chuva, desistimos de conhecer a Villa Ephrussi de Rothschild, que se tornou um dos museus mais visitados da região. Foi construído por Béatrice de Rothschild, nascida em 1864. Era filha do Barão Alphonse de Rothschild, regente do Banco da França e grande colecionador de arte. Ela se casou com Maurice Ephrussi em 1883 e se tornou Madame Ephrussi de Rothschild. Após o divórcio, continuou interessada em arte e começou a criar sua própria coleção particular. E, em 1905, a nobre descobriu Cap Ferrat e mandou construir na região uma villa monumental, na qual se conservam as obras de arte recolhidas ao longo dos anos. 

O ex-primeiro-ministro inglês Winston Churchill também tem uma relação direta com Cap-Ferrat. Durante o período entre guerras, Churchill passou muito tempo na Riviera Francesa, onde se dedicou a seu passatempo como pintor. Uma estátua em frente a marina retrata bem esse período. Foi instalada em junho de 2023, criada por Paul Rafferty, pintor e músico inglês. 

Percorremos parte de Cap-Ferrat, mas não vimos muitas pessoas nas ruas e quase não havia lojas abertas. Turista algum além de nós, corajosos. Certamente a chuva não combina com caminhadas à beira mar, nem que seja o Mediterrâneo.


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