A surpreendente Portovenere, no Golfo dos Poetas

Chegamos em La Spezia no início da tarde do domingo, dia 12/01/25, procedentes de Gênova. O nosso ponto de descanso foi no Affittacamere Lunamar, localizado apenas cerca de 200 metros da Estação Central de trens. Da janela do quarto era possível visualizar parte da estação. 

Da janela do quarto era possível ver a Estação de Trem

Logo após realizar o check-in com o atencioso anfitrião Lucca, responsável pelo apartamento, ele passou várias dicas, mostrando no mapa como ir nas Cinque Terre, nossa programação do dia seguinte. E também sugeriu para aproveitarmos a tarde de domingo para conhecer a pequena cidade de Portovenere, distante cerca de meia-hora de La Spezia, de ônibus. 

Seguindo a orientação do Lucca, lá fomos nós pegar um ônibus na Via Garibaldi, distante cerca de 400 metros do nosso hotel, que na realidade se tratava de um ótimo B&B. Ao tentar pagar pelas passagens, o motorista disse que deveríamos ter comprado os tíquetes em alguma tabacaria. Percebendo que não agimos de má-fé, gentilmente autorizou que embarcássemos sem pagar e lá fomos turistar de graça em Portovenere. No retorno, pelo qual pagamos, depois das sete da noite, o ônibus apresentou problemas no motor e simplesmente apagou em um íngreme trecho da rodovia. Esperamos quase 40 minutos até a chegada de outro ônibus para nos levar de volta ao centro de La Spezia, no ponto de ônibus da Via Garibaldi. No fim, deu tudo certo e ainda ganhamos mais uma história pra lembrar e nos divertir. Cada passagem custou 2 Euros.

Via Garibaldi, em La Spezia

Portovenere surpreende desde o desembarque do ônibus, diante do Mar da Ligúria, no Golfo dos Poetas. O visual é simplesmente espetacular, principalmente num dia de sol e céu azul. Poderia, sem dúvida, fazer parte das Cinque Terre pelo conjunto de casas com fachadas em tons de amarelo, rosa e vermelho, todas enfileiradas e empoleiradas ao longo do mar. Portovenere é reconhecida como Patrimônio Cultural Mundial e Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997. Tem menos de 5 mil habitantes.

O Golfo dos Poetas recebeu esse nome em homenagem aos grandes poetas românticos que encontraram inspiração para suas obras em Portovenere, incluindo os ingleses George Gordon Byron, conhecido como Lord Byron,  e Percy B. Shelley, atraídos pela beleza natural do lugar.

Pequenas vielas medievais podem ser percorridas para conhecer melhor a cidade e subir a colina onde fica o Castelo Doria, construído nos séculos 12 e 17 pelos genoveses. A vista a partir do castelo é deslumbrante. Infelizmente, estava fechado no dia da nossa visita. Apesar do dia lindo, que nos proporcionou um espetacular pôr do sol, o vento gelado nos locais mais altos, como na fortificação e no castelo, funcionava para espantar o aglomerado de turistas. Assim como nós, o pessoal fazia algumas fotos e já deixava o local em busca de abrigo. A Rossani se divertiu fazendo selfies com os cabelos esvoaçando.

Castelo Doria

A Igreja de São Pedro, localizada na parte mais alta do rochedo, está cercada por fortificações. As informações turísticas apontam que a área teria sido ocupada desde os tempos pré-históricos e romanos e que a igreja foi construída num local que teria sido um templo dedicado a Vênus, Venere em italiano, a partir do qual Portovenere recebeu o seu nome. Também estava fechada.

Já na cidadela fica a Igreja de São Lourenço, erguida no século 12, com uma fachada românica. O site https://tournaitalia.com destaca que o mármore do século 15 alter peça detém uma pequena pintura da Madonna Bianca. De acordo com a lenda, a imagem foi trazida para Portovenere em 1204 a partir do mar e foi milagrosamente transformada em sua forma atual, em 17 de agosto de 1399. O milagre é celebrado a cada 17 de agosto com uma procissão de velas pela cidade. A Igreja também estava fechada. Aliás, neste período do ano, nas pequenas cidades, muitas lojas, restaurantes e alguns serviços ficam fechados. Mas sempre que vamos a algum vilarejo no inverno e ocorre de encontrarmos muitos turistas, sempre imaginamos que durante o verão europeu esses locais  devem ficar intransitáveis. E nesta viagem está sendo incrível a quantidade de turistas em todos os locais por onde estivemos. 

La Spezia

Com quase 100 mil habitantes, La Spezia é uma cidade portuária e conta com um Centro Histórico pequeno. O calçadão Morin, na orla marítima, leva à ponte pedonal Thaon di Revel, inaugurada em 2013, que conecta diretamente a cidade à marina no Porto Mirabello, com embarcações de todos os tipos e tamanhos.  

A estrutura da ponte lembra os mastros dos veleiros e o esqueleto dos cascos, e evoca a antiga tradição marítima local: uma fina linha branca une as duas margens, devolvendo ao povo de La Spezia uma faixa de mar.

Outra importante atração de La Spezia é o Castelo de São Jorge, que fica na parte alta da cidade. Dois elevadores levam até o topo, de onde a visita da cidade e do porto impressionam. Às terças, dia da nossa visita, o castelo e o Museu Amedeo Lia, que fica nas proximidades, estavam fechados. O Castelo conta com um museu arqueológico com pinturas e esculturas em bronze.

Castelo de São Jorge pode ser visto desde o Porto Mirabello

Encerramos a primeira noite no restaurante Masaniello em La Spezia com duas pizzas, uma garrafa de vinho e água, ao custo de 41 euros. Nas noites seguintes, aproveitamos para conhecer a Pizzaria Pulcinella, localizada no calçadão principal da cidade. Esse calçadão é na verdade uma via pedonal, apenas para pedestres, que atravessa a cidade desde 400 metros abaixo da estação de trens até o porto. É o melhor ponto de referência de La Spezia e facilita muito a locomoção pela cidade. Reservamos pouco mais de meio dia para conhecer a cidade que nos serviu de base para visitar as Cinque Terre, mas valeu porque também é um local bem interessante. 

Sobre o nosso “hotel” 

Geralmente optamos por ficar em hoteis durante nossas viagens, mas em La Spezia escolhemos um B&B, o Affittacamere Lunamar, que tem uma estrutura semelhante a hotel (com limpeza diária do quarto, troca de toalhas, reposição de amenidades), mas que oferece o café da manhã fora das dependências, em parceria com cafeterias locais. O Lunamar foi uma ótima escolha, num prédio antigo (sem elevador), quarto e banheiro espaçosos, limpo e com uma localização excelente. Só achamos um pouco distante a cafeteria parceira, algo em torno de 300 metros. Se quiser conhecer, dá uma olhada no insta do @affittacamere_lunamar .


4 comentários sobre “A surpreendente Portovenere, no Golfo dos Poetas

  1. Bom dia!

    Parabéns pelo blog! Estaremos em maio próximo, em Portovenere.

    Você lembra onde pegaram o ônibus de volta para La Spezia.

    Grato

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